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CINE HORROR entrevista: Hugo Cardozo e os Mistérios de "Não Entre"

Por: Ivan Rios (O Mago Supremo)

O cineasta Hugo Cardozo revelou detalhes fascinantes sobre seu filme de terror, "Não Entre"  uma produção intensa que conquistou público e crítica no meio underground. Em uma entrevista exclusiva, Cardozo compartilhou os desafios de levar essa história ao cinema, desde a escolha da mansão abandonada – que se transformou em um personagem por si só – até os imprevistos reais que tornaram as filmagens ainda mais assustadoras.


Com uma abordagem inovadora, o diretor explica como buscou criar uma experiência imersiva, utilizando planos sequência e um estilo found footage que aproxima o espectador da atmosfera claustrofóbica do filme. Ele também falou sobre o impacto das raízes culturais do terror latino-americano, destacando que essa identidade única é fundamental para diferenciar suas obras no cenário internacional.


Além de explorar o processo criativo por trás do roteiro e a interação com o elenco, Cardozo revelou curiosidades surpreendentes sobre os bastidores, incluindo eventos paranormais que aconteceram durante as gravações. A intensidade da trama e os giros narrativos inesperados tornaram "Não Entre" um dos grandes destaques do gênero, reforçando sua trajetória como um dos principais nomes do terror no Paraguai e na Argentina.


E tem novidade! O diretor confirmou que Maldecidos, seu próximo projeto, já está em desenvolvimento e promete surpreender ainda mais os fãs de terror. Melhor ainda: existe a possibilidade de Cardozo trazer sua obra para o público brasileiro no Festival Cine Horror 2025, em Salvador!


Essa entrevista é um verdadeiro mergulho no universo do terror cinematográfico — um conteúdo essencial para quem quer entender como filmes como "Não Entre" desafiam expectativas e marcam o público com sua atmosfera intensa e imprevisível!


Fique atento, porque Cardozo tem muito mais histórias macabras para contar!


 


Cine Horror: Hugo, obrigado por conversar conosco. “Não Entre” tem uma atmosfera intensa e imersiva. Como surgiu a ideia do filme e quais foram os principais desafios em sua concepção? Desde o orçamento e a logística até o roteiro, o elenco e a escolha do momento ideal para o lançamento, quais obstáculos você enfrentou?


Hugo: Obrigado a vocês! “Não Entre” surgiu de uma ideia que eu já tinha há anos: fazer um filme que tivesse uma visão em primeira pessoa, proporcionando uma experiência próxima ao que nossos olhos veem. Por isso, decidi usar o recurso do plano sequência, para que o espectador se sinta dentro do filme, vivendo momentos difíceis com os protagonistas. Do ponto de vista técnico, a fotografia foi um desafio, pois a casa era enorme e precisava ser iluminada muito bem para que o plano sequência funcionasse. Usamos uma câmera pequena para conseguir o movimento e o visual que o filme precisava. Encontrar alguns atores foi difícil, pois a história é baseada em um relato real do Paraguai na época da ditadura. Essa mistura de ficção e história dá a “Não Entre” o peso denso que vemos no filme.


 


Cine Horror: O cinema de suspense e terror latino-americano tem ganhado cada vez mais reconhecimento internacionalmente. Você acha que o terror do Paraguai e da Argentina tem uma identidade própria que o diferencia de outras produções globais? Como essas raízes culturais influenciam sua visão do gênero e sua abordagem cinematográfica?


Hugo: "As raízes culturais" – acredito que isso seja a chave do cinema latino-americano em qualquer gênero. No terror, isso fica ainda mais evidente. Estamos acostumados a ver produções americanas baseadas em sua cultura, então, quando vemos esse gênero sob uma perspectiva diferente, não apenas chama atenção, como também traz algo novo e fresco para o que estamos acostumados. Isso nos dá uma identidade única.


 


Cine Horror: Sua colaboração com Hernán Moyano no roteiro resultou em um filme que desafia as expectativas do público. Como foi o processo criativo entre vocês e que decisões no roteiro representaram desafios ou riscos, mas que foram fundamentais para a experiência do espectador?


Hugo: Hernán Moyano atuou como script doctor (consultoria e avaliação); eu escrevi o roteiro e fiz todo o processo criativo sozinho. Ele entrou na etapa final para oferecer consultoria e avaliação, mas o roteiro foi integralmente escrito por mim. A decisão mais difícil foi a forma de contar a história. Visualmente, parece simples, mas tecnicamente é bastante complicado. Longas cenas sem cortes exigem um ensaio coreográfico muito preciso com toda a equipe técnica e os atores, pois cada cena precisava ser gravada em uma única tomada. Além disso, há o fator surpresa da história, os giros narrativos e a construção de expectativas antes de revelar a verdade. Eu gosto de experimentar isso em meus filmes. Não gosto de me limitar a uma única emoção, por isso, no começo, há um pouco de comédia e drama nas conversas com os seguidores, até culminar em um terror cru e claustrofóbico.


 


Cine Horror: A mansão abandonada é um dos grandes protagonistas do filme, gerando um terror autêntico e imprevisível. Como essa locação foi escolhida e quais desafios inesperados surgiram durante as filmagens?


Hugo: A casa realmente contribui muito para o filme. No roteiro original, ela seria menor, mas enfrentamos problemas de autorização e tivemos que buscar alternativas. Foi então que encontramos essa mansão, que era perfeita e cinco vezes maior do que a ideia original. Precisei adaptar o roteiro para essa mudança, mas não me arrependo. O maior desafio foi que, de fato, havia movimentos e ruídos na casa, tornando as filmagens difíceis. Aprendemos a conviver com isso para conseguir finalizar o projeto. Temos muitas histórias para contar sobre isso, e até gravamos cenas de bastidores mostrando tudo—quase uma "outra história a ser contada."


 


Cine Horror: O elenco de “Não Entre” oferece atuações surpreendentes, especialmente na transição entre humor e terror visceral. Como foi o processo de seleção dos atores e a interação no set? Houve momentos de improvisação ou situações em que as interpretações influenciaram a construção das cenas?


Hugo: Sei que foi arriscado incluir humor em um filme de terror, mas acredito que isso dá mais profundidade aos personagens e faz com que o público se envolva mais com eles. Além disso, é essencial para a essência dos personagens. A seleção dos atores foi feita com muito cuidado, especialmente para o papel de “Aldo”, que precisava ter um caráter bem peculiar sem cair no exagero. O restante do elenco é formado por atores já consolidados e profissionais no Paraguai, e todos fizeram um excelente trabalho. Os dois protagonistas ficaram confinados e conviveram juntos durante um mês inteiro para ensaiar. Na locação, eu os deixava sozinhos para explorarem a casa à noite, para que sentissem o ambiente denso do lugar. Foi uma experiência um pouco bizarra, mas ajudou muito a incorporarem seus papéis—eles amavam fazer isso, mesmo com medo.


 


Cine Horror: “Não Entre” faz referência a REC, mas sem se apoiar em clichês. Além da influência do clássico espanhol, o filme também dialoga com o subgênero found footage, evocando elementos de tensão e imersão característicos de produções como O Projeto Bruxa de Blair e Atividade Paranormal. A estética crua e claustrofóbica, junto com o uso de câmeras diegéticas, remete a filmes que exploram o terror de maneira visceral e realista. Quais foram suas principais inspirações para criar “Não Entre”? Há algum filme que tenha sido fundamental na sua formação como cineasta?


Hugo: Acredito que o trabalho de um diretor seja transmitir emoções por meio de imagens e som. Além de dirigir, sou músico, e isso me ajuda muito na composição de uma obra cinematográfica. Sou daqueles que acreditam que um bom diretor pode fazer de tudo, porque sua visão não é simplesmente vender um gênero, mas sim contar uma história que emocione o público. Não tenho uma única referência específica, pois aprendo com todos os diretores, independentemente do gênero que eles trabalham. Cada um tem sua forma de contar histórias, e isso é belo—sempre há algo novo para aprender.


 


Cine Horror: O terror evoluiu constantemente, com novas tendências surgindo a cada década. Na sua visão, como “Não Entre” se insere na fase atual do gênero? Você acredita que há elementos inovadores em sua abordagem que podem influenciar o terror contemporâneo?


Hugo: Não acho que estou inovando nada. “Não Entre” tem muitos elementos que já existem, mas o que pode diferenciá-lo é a forma como esses elementos são combinados—isso faz com que cada obra tenha seu próprio sabor. Também acredito que o público está cada vez mais exigente, e nossa obrigação é evoluir e criar combinações melhores.


 


Cine Horror: Aspectos técnicos como fotografia, edição e design sonoro são essenciais para transmitir a atmosfera do terror. Como você trabalhou nesses elementos no filme? Houve alguma decisão estética ou técnica que considerou fundamental para a construção da tensão e do medo?


Hugo: Eu me envolvo em tudo, desde varrer o cenário até editar o filme. Desde o início, já tinha claro o que queria—uma obra crua, em primeira pessoa, que me prendesse com os personagens dentro de uma casa sinistra e me fizesse sentir, pele a pele, o que eles estavam vivendo. Essa foi a base para construir todo o filme.


 


Cine Horror: Ao longo da história, momentos de instabilidade social e política influenciaram as narrativas cinematográficas, moldando atmosferas de tensão, medo e incerteza. No Paraguai e na Argentina, países com passados turbulentos e transformações recentes, você acredita que esses contextos afetam a maneira como o terror é concebido e recebido pelo público? Essas dinâmicas sociopolíticas se refletem na construção dos personagens e na atmosfera de “Não Entre”?


Hugo: Sim, isso faz parte da nossa história, e muitas pessoas viveram na pele momentos difíceis no passado. Acho que isso tem um impacto forte no filme—tudo que é baseado em fatos reais carrega um peso especial.


 


Cine Horror: O público reagiu intensamente a “Não Entre”, com diversas interpretações sobre seus temas e atmosfera. Houve alguma resposta específica dos espectadores que te surpreendeu? Existe uma leitura da obra que você considera particularmente interessante?


Hugo: Gostei de como reagiram ao ritmo do filme. Fui ao cinema observar as reações e, desde o momento em que os personagens entram na casa à noite, as pessoas paravam de comer pipoca e se envolviam completamente na história, sem piscar. Isso foi maravilhoso! Para mim, os giros narrativos e a mensagem final são os elementos que fazem “Não Entre” permanecer na mente do público.


 


Cine Horror: Podemos esperar mais filmes seus no estilo found footage ou você tem planos de explorar novas propostas narrativas em projetos futuros?


Hugo: Na verdade, não costumo me dedicar ao found footage. Meu primeiro filme, El Secuestro (2016), era um suspense de ação e comédia com um estilo de filmagem bem diferente. Minha segunda obra, Morgue (2019), era um suspense de terror com outra abordagem. “Não Entre” (2024) foi no estilo found footage, e El Ritual del Libro Rojo (2025) tem um estilo mais clássico. Agora estamos indo para o quinto filme, Maldecidos, que será rodado este ano junto ao meu produtor René Ruíz Díaz, com quem trabalhei em “Não Entre” e El Ritual del Libro Rojo, em coprodução com a Argentina. Eu sempre disse que queria fazer um filme no estilo found footage e me satisfaço com “Não Entre”, haha. Agora quero experimentar coisas novas.


 


Cine Horror: Aproveitando a ocasião, gostaríamos de convidá-lo para o Festival Cine Horror, que acontecerá em outubro de 2025 em Salvador, Bahia. Seria uma honra contar com alguma obra ou projeto seu na nossa programação. Existe a possibilidade de vermos um novo trabalho seu por lá?


Hugo: Para mim, seria uma honra estar aí com vocês! Amo o cinema e celebro cada festival—eles nos impulsionam a continuar. Claro que sim! Podemos apresentar um novo trabalho.


 


Cine Horror: Para finalizar, queremos deixar espaço para que compartilhe suas reflexões finais. Há algo mais que você gostaria de dizer sobre “Não Entre”, sua trajetória como cineasta ou seus planos para o futuro?


Hugo: “Não Entre” me fez experimentar eventos paranormais reais, assim como Morgue—isso contribui muito para a criatividade e para a forma de contar uma história de terror. A equipe com quem trabalho é formada por verdadeiros guerreiros que amam o cinema e tornam as filmagens divertidas. Os atores foram incríveis. Quero destacar René Ruiz Diaz, meu produtor, que compartilha minha paixão pelo terror e transforma minhas ideias em realidade. Rafael Alfaro, produtor associado e ator que interpretou o militar assassino, foi essencial para conseguirmos a casa. Fernando Castets, produtor associado, também tornou tudo possível, e Guido Rud, produtor e distribuidor, ajudou a levar o filme para o Brasil e mais de 12 países ao redor do mundo. “Não Entre” continua participando de festivais e gerando novas surpresas. Em 2013, comecei essa jornada com um filme independente no qual escrevi, dirigi, atuei, filmei, editei e compus toda a trilha sonora usando apenas um computador no meu quarto—El Secuestro, que foi um grande sucesso local. Depois, me dediquei inteiramente ao cinema e lancei Morgue, que se tornou um êxito mundial, sendo vendido para diversos países, chegando ao HBO Max e tendo seus direitos adquiridos pela Paramount Pictures para um remake no México pela BH5 Studios. O filme passou por festivais como Sitges, Cannes, Friki e outros. “Não Entre” já foi vendido para mais de 12 países e participou de festivais como Cannes, Mar del Plata, Busan, Festivalito La Palma e Fright Nights. Atualmente, estou trabalhando no meu novo projeto, Maldecidos, que será filmado em outubro deste ano. Estou feliz fazendo o que amo—o cinema é minha vida.


 

Entrevistas
https://www.cinehorror.com.br/entrevistas/cine-horror-entrevista-hugo-cardozo-e-os-misterios-de-equotnao-entreequot?id=1475
| 822 | 30/05/2025
O cineasta Hugo Cardozo revelou detalhes fascinantes sobre seu filme de terror, "Não Entre"
  
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