A Editora 85 vem se destacando no cenário editorial publicando no Brasil os quadrinhos italianos Martin Mystère, Mágico Vento, Dampyr, Diabolik, Mister No, Morgan Lost, Nick Raider, Hellnoir, Coney Island, Cheyenne, Stria, Saguaro e Cassidy. Conversamos com Leonardo Campos, responsável pela editora.
Olá, de início eu gostaria de agradecer novamente pela oportunidade desta entrevista, poderia se apresentar para nossos leitores?
Leonardo Campos: Aqui fala o Leonardo Campos, editor da 85, especializada em publicar no Brasil os quadrinhos das casas italianas Sergio Bonelli Editore e Astorina, para citar alguns: Mágico Vento, Dampyr, Diabolik, Mister No e Martin Mystère.
Quais seus autores favoritos?
Leonardo Campos: Nos quadrinhos, Gianfranco Manfredi, Ed Brubaker, Naoki Urasawa e Garth Ennis, na literatura, Stephen King e Michael Connelly.
Quando e como veio a ideia de criar a Editora 85 e ingressar no mercado editorial brasileiro?
Leonardo Campos: Por volta de 2017, o mercado editorial estava começando a mudar, reduzindo bancas e potencializando o e-commerce, e muitos títulos que eu gostava, como leitor, estavam ausentes do mercado brasileiro há anos, então acho que a criação da 85 foi algo natural. Eu queria preencher algumas dessas lacunas.
A editora foca em materiais italianos, tem alguma razão por trás dessa decisão?
Leonardo Campos: Um gosto pessoal que remonta 29 anos...
E você vê alguma dificuldade a mais por focar nessas obras?
Leonardo Campos: O quadrinho italiano, no Brasil, é um mercado de nicho. Temos fãs muito fiéis, mas ainda são poucos, então a luta por furar a bolha é incessante.

Gosto muito do formato de vocês, como tem sido a resposta do público em relação à capa mole e um tamanho mais portátil?
Leonardo Campos: É um formato até de luxo, se comparado ao que era praticado com os quadrinhos italianos no Brasil anos atrás (formatinho e papel jornal). Mas eu não chamaria de "portátil", visto que o formato original italiano é muito maior que o formatinho. Acho que a grande sacada é o número de páginas, compilando várias edições originais num único volume.
Como você vê essa dominação de materiais de luxo e capa dura no mercado nacional?
Leonardo Campos: Como falamos de nicho, existe também a procura por edições de luxo e "definitivas". Acho saudável, mas quando a base de leitores de determinado título pode sustentar esse investimento. Não é porque tem luxo que é certeza de boas vendas, então é preciso ter parcimônia quando se define esse tipo de linha editorial. No momento, não é o da 85.

Dentro do acervo da editora, qual você recomendaria para novos leitores conhecerem o seu trabalho?
Leonardo Campos: A 85 tem várias graphic novels que têm servido de porta de entrada para novos leitores. Eu citaria Hellnoir, Cheyenne e Stria. Cassidy é uma mini série em 3 volumes que também tem furado muito a bolha.
E onde nossos leitores podem acompanhar o trabalho da editora 85 e adquirir os materiais?
Leonardo Campos: Estamos nas redes sociais, no @85editora, e nossos produtos podem ser adquiridos no endereço: www.editora85.com.br/shop.

Em tempos recentes, alguns cineastas brasileiros do cenário underground parecem seguir por um caminho parecido, ganhando destaque em festivais e viralizando pela web graças a obras de horror.