O RITUAL (The Ritual) | EUA/Índia | 2025
Direção: David Midell
Roteiro: David Midell
Elenco: Al Pacino, Dan Stevens, Ashley Greene, Abigail Cowen, Patricia Heaton, Patrick Fabian
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 98 minutos
Sinopse: Dois padres, um questionando sua fé e outro contando com um passado conturbado, onde devem deixar de lado suas diferenças para salvar uma jovem possuída através de uma sequência difícil e perigosa de exorcismos.
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Assistir a O Ritual é ter Al Pacino em cena como um craque consagrado escalado para um time de terceira divisão: o talento está lá, inegável, mas o entorno é tão limitado que nem o astro consegue driblar as falhas do conjunto. Pacino carrega peso dramático, mas a construção ao seu redor não o acompanha, resultando numa disparidade entre a força de atuação e o vazio narrativo que o cerca.
Afinal de contas estamos lidando com uma obra baseada em supostos fatos reais, ainda assim o roteiro, por mais sólido que pareça no papel, não consegue inovar em absolutamente nada dentro do subgênero de possessão. Ele recicla portas rangendo, sombras que sussurram e gritos abruptamente cortados como se cada cena fosse extraída de um manual de clichês já mastigados pelo público há décadas. Sem um olhar autoral ou um giro surpreendente na mitologia demoníaca, a obra permanece apática e meramente proforma.
Fora Pacino, o elenco oscila entre o razoável e o mediano, com atuações que não deixam marca, ninguém salta aos olhos, ninguém conquista de verdade. O vínculo emocional exigido para sustentar o terror fica na superfície, salvo em raros lampejos de empatia quando o próprio Al Pacino se apropria do texto e imprime nuances de humanidade. Nestes breves momentos, o espectador até se conecta, mas logo volta ao desinteresse geral.
Esteticamente, O Ritual não se vale de simplicidade criativa como estratégia intencional; ela (a simplicidade aqui descrita) é fruto do comodismo que se apropria do filme. A fotografia se mantém na mesmice, os cenários não respiram novidades e o suspense transcorre de forma previsível, como se cada tensão estivesse cronometrada para não falhar, e mesmo assim falha. As inúmeras referências estéticas que aqui se vê não são homenagens ao gênero ou revisitações a obras canônicas, ao contrário, é o mais puro suco do clichê. Em apenas 98 minutos, o filme arrasta-se de maneira quase hipnótica, capaz de embalar o sono, mesmo em quem acabou de dormir de forma satisfatória e reparadora. É realmente entediante.
A única faísca de vigor na obra vem da trilha sonora, que em vários momentos assume o protagonismo sonoro e quase salva o filme de sua apatia dramática assombrosa. A sonoplastia eleva tensões e confere um clima de suspense onde o roteiro e as atuações falham, lembrando que, às vezes, o som faz o que a imagem não ousa. Ainda assim, para os fãs do terror, O Ritual deixa um gosto de nada, como folhear um jornal velho numa sala de espera da clínica. Moral da história: esquecível...
O Ritual estreia nos cinemas brasileiros no dia 31/07/2025.

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