Em 1992, foi lançado o filme O Mistério de Candyman, adaptando um conto do escritor britânico Clive Barker. O texto de Barker foi originalmente publicado como parte da coletânea Livros de Sangue, na década de 1980. O filme, em sua época, mostrou-se uma interessante experiência criativa diante do esgotamento das repetitivas franquias slasher que dominavam o cinema de horror.
A história do filme está centrada na lenda urbana sobre uma misteriosa criatura, que todos chamam de Candyman (traduzido por aqui como “homem dos doces”), que seria responsável por uma série de violentos crimes não solucionados. Essa criatura, invocada quando alguém pronunciava seu nome cinco vezes diante de um espelho, possui um gancho em uma das mãos, que usa para matar suas vítimas.
Séculos antes, Daniel Robitaille, o homem que veio a se tornar Candyman, era o filho de um escravo que havia feito fortuna depois da Guerra Civil. Tendo grande talento para a pintura, Robitaille acabou se envolvendo com a filha de um de seus ricos clientes. Depois de ser torturado por capangas, o jovem pintor teve uma das mãos arrancada. Os agressores ainda esfregaram mel no corpo de Robitaille, que foi atacado e morto por abelhas.
O filme tem como protagonista Helen, uma jovem pesquisadora acadêmica que se interessa pela misteriosa história em seu estudo sobre lendas urbanas. Contudo, Helen acaba descobrindo (da pior forma possível) que um homem usava o mito de Candyman para assustar as pessoas. Esse farsante e sua gangue são presos e, com isso, o medo provocado pelo mito do verdadeiro Candyman é enfraquecido. Candyman culpa Helen pelo enfraquecimento da lenda, vindo a se vingar da pesquisadora, incriminando-a pelo sequestro de um bebê e pelo assassinato de sua melhor amiga.
A narrativa faz um interessante confronto entre uma crença popular e o conhecimento científico Construindo a ideia de que a representação dessa figura mítica tem relação com a realidade vivida por uma população pobre, o filme mostra a condição de populações jogadas nas periferias das grandes cidades e amontoadas em conjuntos habitacionais de condições precárias. Essa história mostra ainda que não se trata de populações ignorantes ou sem compreensão da realidade, mas essas pessoas acabam sendo representadas de forma preconceituosa por certo discurso acadêmico bastante conservador.
O filme, apesar de suas limitações técnicas e orçamentárias, apresenta uma narrativa ágil e bem conduzida pela direção, amarrada por um roteiro bastante coeso. O lugar onde vive Candyman chama bastante a atenção pelos ricos detalhes, com belíssimos grafites nas paredes, e pela criatividade em sua estruturação.
Destaca-se a atuação de Virginia Madsen, que interpreta Helen, mostrando um trabalho bastante equilibrado e convincente. Tony Todd, que interpreta Candyman, vive pela primeira vez o papel que viria a marcar sua carreira. Com exceção de Madsen e Tony Todd, as demais interpretações são bastante fracas.
Foram realizadas duas sequências de O Mistério de Candyman, sem a mesma qualidade do primeiro filme, e um interessante reboot, produzido por Jordan Peele. O filme de 1992, além disso, permanece um clássico que merece ser visto e revisto, em especial diante da persistência de muitos dos problemas sociais retratados.
O Mistério de Candyman está disponível no Brasil em Blu-ray pela Classicline.

Considerando as produções internacionais lançadas comercialmente em 2020, esta é uma lista de destaques selecionados dentre aproximadamente 150 filmes horror, fantasia e sci-fi assistidos.