Título: A Cubana
Autores: Marcello Fontana e Jordí Martinez
Editora: Trem Fantasma
Páginas: 56. Preto e branco.
Yailin é uma fugitiva de Cuba. Em sua travessia, foi enganada pelos marujos que prometeram a levar para os Estados Unidos e foi deixada à deriva. Sua sorte a leva até o Brasil, onde trabalha em um circo. Porém, sua vida se transforma em uma série de desventuras após se juntar a um ousado assalto.
“A Cubana” é uma obra que junta inúmeros gêneros, se inspirando principalmente em obras noir e de grandes assaltos. Marcelo Fontana (autor de Never Die Club) recebeu indicação ao 42.º Troféu Ângelo Agostini na categoria de Melhor Roteirista. Seu elenco é tão plural quanto suas inspirações, com personagens que vão de brasileiros a russos e chineses. A trama é acelerada, cada página cumpre o papel de levar o leitor até o final e o traço dinâmico de Jordí Martinez (famoso pelo seu trabalho nos quadrinhos das séries Chacal e Spektro) reforça a velocidade do roteiro. Yailin é presa em uma teia de conspirações que são ideias com potencial para diferentes histórias, mas, em uma de 56 páginas acabam se amontoando e tirando os pesos das revelações que vão surgindo na trama.

Na obra, a realidade e a ficção se misturam de maneiras interessantes. Yailin possui flashes de seu passado que instigam o leitor a ler até o final para tentar decifrar a personagem. Outro aspecto positivo da obra é seu absurdismo, já que a protagonista fala apenas em espanhol enquanto os outros personagens falam português. Junta a estranheza da personagem e a violência da obra, e constantemente me peguei dando risada das situações exageradas representadas na história.
Em suma, “A Cubana” é uma história interessante e abre portas para um universo interessante, mas este primeiro volume perde seu impacto pelo excesso de subtramas.
A obra pode ser adquirida no site da Editora Trem Fantasma.

O Olho de Gibraltar nos apresenta um período histórico pouco explorado na literatura nacional e uma narrativa dinâmica e cativante.