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A LONGA MARCHA: CAMINHE OU MORRA

Por: Stephanie Nascimento

A LONGA MARCHA: CAMINHE OU MORRA (The Long Walk) | EUA | 2025
Direção: Francis Lawrence
Roteiro: JT Mollner, adaptado do livro de Stephen King
Elenco: Cooper Hoffman, David Jonsson, Garrett Wareing, Tut Nyuot, Charlie Plummer, Ben Wang, Roman Griffin Davis, Judy Greer, Mark Hamill
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 108 minutos
Sinopse: Em um futuro distópico, 100 jovens participam de uma competição brutal na qual só um pode sobreviver. A cada passo, a tensão aumenta.


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A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é a mais recente adaptação cinematográfica de um romance de Stephen King, que, embora menos conhecido entre suas obras, revela uma de suas características mais potentes: o olhar perturbador sobre a psicologia humana em situações extremas. A trama se passa em um futuro distópico, onde um grupo de jovens são forçados a participar de uma caminhada interminável, no qual as regras se resumem a: quem parar de caminhar ou caminhar abaixo da velocidade determinada será executado. A jornada, que é tanto física quanto mental, propõe questões profundas sobre resistência, sobrevivência e, acima de tudo, a natureza da morte.


O filme, roteirizado J.T. Mollner e dirigido por Francis Lawrence, se mantém relativamente fiel à obra original de King, oferecendo uma recriação tensa e angustiante do ambiente e das regras que regem a marcha. O conceito de uma competição brutal, onde os participantes devem andar sem descanso sob ameaça de morte, é eficaz em criar uma sensação de claustrofobia psicológica, mesmo que o cenário se estenda por vastas paisagens abertas.


A história do protagonista, Ray Garraty, interpretado por Cooper Hoffman, é o ponto central da trama, e a interpretação do ator é convincente o suficiente para nos fazer sentir a crescente angústia de seu personagem. No entanto, a profundidade dos outros participantes da marcha não é explorada de maneira satisfatória, o que pode ser compreensível quando falamos de uma adaptação literária para o cinema, no qual inúmeras questões relevantes precisam ser subtraídas ou acabam sendo mal exploradas, não aprofundadas. O que pode ser um pouco frustrante para os admiradores da obra de King, já que caímos no famoso “Ah! o livro é bem melhor”. A interação entre os competidores da marcha é uma das partes mais interessantes do romance de King, mas no filme, muitas dessas relações se perdem devido ao tempo limitado e à abordagem mais superficial dos personagens.


O longa foca em criar um clima de desesperança crescente à medida que a caminhada avança. O enredo não é apressado em seus eventos, permitindo que o público vivencie a deterioração física e mental dos jovens, assim como nos permite criar até mesmo um laço afetivo com alguns personagens. Entretanto, é justamente essa demora em entregar mais ação que gera a maior parte dos problemas narrativos do filme. A adaptação parece, por vezes, arrastada, algo que pode ser um desafio para os espectadores que esperam uma experiência mais dinâmica, em contraste com a obra literária de King, que, apesar de lenta, mantém uma tensão constante.


O filme aborda temas profundos sobre a condição humana, o valor da vida e a desumanização de uma sociedade que coloca o entretenimento à frente do bem-estar individual. Embora não haja uma exploração completa dessas questões, o filme oferece uma reflexão interessante sobre como o sistema pode reduzir os indivíduos a números, forçando-os a lutar pela própria sobrevivência em um contexto totalmente desprovido de compaixão.


O longa se destaca por sua crítica sutil e não tão espetacularizada ao sistema, apresentando o sofrimento de maneira mais introspectiva e filosófica. O conceito de uma marcha que não termina nunca se assemelha a uma metáfora para as adversidades da vida, onde, muitas vezes, não há uma saída óbvia e a luta constante é, em si, o desafio mais profundo.


Por fim, A Longa Marcha: Caminhe ou Morra é uma adaptação que, embora fiel em seu tom e em sua premissa, acaba por se arrastar em alguns momentos, prejudicando o ritmo e a profundidade emocional da obra original. A falta de uma exploração mais completa dos personagens secundários e uma direção que, por vezes, prioriza o estilo sobre a substância, diminuem o impacto da história, tornando o filme uma experiência interessante, mas não memorável.



A Longa Marcha: Caminhe ou Morra estreia nos cinemas brasileiros no dia 18/09/2025.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/a-longa-marcha-caminhe-ou-morra?id=1629
| 483 | 18/09/2025
Em um futuro distópico, 100 jovens participam de uma competição brutal na qual só um pode sobreviver. A cada passo, a tensão aumenta.
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