A QUEDA 2: NO LIMITE (Fall 2: Deadpoint) | EUA / Reino Unido / Austrália | 2026
Direção: Michael Spierig e Peter Spierig
Roteiro: Jonathan Frank e Scott Mann
Elenco: Harriet Slater, Arsema Thomas, Tom Brittney, Virginia Gardner, Sahajak Boonthanakit, Korakod Yensuk
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 98 minutos
Sinopse: De luto pela morte de sua irmã Shiloh, Jax Hunter cria um laço com Luce, a amiga corajosa de Shiloh. Juntas, elas enfrentam a perigosa passarela suspensa do Monte Kwan, na Tailândia. Quando um deslizamento de rochas as deixa presas em uma estreita prancha a mais de 3.000 metros de altitude, Jax precisa enfrentar seus medos para sobreviver.
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O primeiro filme da franquia A Queda conseguiu transformar um cenário de sobrevivência relativamente simples em uma experiência de terror bastante eficiente. A história acompanhava duas amigas que se aventuravam a subir uma torre abandonada, apenas para descobrir que aquilo que parecia ser uma aventura radical rapidamente se transformaria em um pesadelo.
À medida que acidentes e problemas estruturais colocavam as personagens em uma situação cada vez mais desesperadora, a própria torre se tornava a grande ameaça do filme.
Mais do que simplesmente explorar os perigos de uma grande altura, o longa soube transformar a acrofobia — o medo intenso de alturas — em uma espécie de monstro invisível. A vertigem, a sensação de vazio e a fragilidade das personagens diante de centenas de metros de queda eram constantemente colocadas em primeiro plano, fazendo com que o espectador também sentisse aquela insegurança.
Era um terror construído menos pela presença de uma criatura ou de um assassino e mais pela própria sensação de estar à beira do abismo, destacando o suspense e fazendo com o que o espectador não parasse de roer as unhas.
Spoiler Alert! No segundo filme da franquia, após a morte da irmã, Jax Hunter (Harriet Slater) encontra apoio em Luce (Arsema Thomas), uma das amigas mais próximas da falecida. Juntas, elas decidem atravessar uma perigosa passagem suspensa em uma montanha na Tailândia. Porém, um deslizamento de rochas as deixa presas no local, obrigando as duas a enfrentar seus maiores desafios.
A Queda 2: No Limite mantém aquilo que funcionava como a principal força do filme anterior: a altura continua sendo a grande vilã da história. Mais uma vez, o perigo não está necessariamente em um antagonista físico, mas na própria dimensão do espaço e na constante ameaça de uma queda. A montanha e sua trilha ilegal, assim como a torre do primeiro filme, transformam-se em uma armadilha onde cada movimento pode representar um novo risco.
Mesmo com seus 98 minutos de duração, o filme ainda encontra espaço para explorar o passado das personagens e estabelecer uma conexão emocional maior com a decisão de escalar a montanha.
Ao apresentar um pouco mais das histórias de Jax e Luce, a sequência tenta dar profundidade às protagonistas enquanto amplia o universo construído no primeiro longa. É uma escolha que procura fazer com que a sobrevivência não seja apenas uma questão física, mas também esteja relacionada aos traumas e às experiências que as duas carregam consigo.
Essa visita ao passado das personagens tenta trazer um novo elemento à franquia, mas é justamente aí que mora o principal defeito da obra. As decisões tomadas para justificar a ida de Jax à escalada, especialmente depois de ela ter acabado de perder a irmã em um acidente durante uma escalada, soam forçadas demais. Em vez de parecerem escolhas naturais de alguém vivendo aquele trauma, algumas situações parecem claramente construídas pelo roteiro apenas para colocar as personagens naquela situação.
Quando as motivações deixam de parecer orgânicas e passam a funcionar apenas como uma ferramenta para conduzir a história até o próximo momento de tensão, a imersão acaba sendo prejudicada.
E nem precisamos falar da conveniência dos desastres acontecerem justamente quando as personagens estão atravessando a trilha secreta. E não apenas uma vez: a situação se repete duas vezes, sempre praticamente no entorno da passagem que elas estão fazendo. O recurso até poderia funcionar como mecanismo de tensão, mas a repetição torna tudo excessivamente conveniente para o roteiro. Em vez de transmitir a sensação de que as personagens estão enfrentando uma sequência imprevisível de perigos, fica a impressão de que os acontecimentos simplesmente esperam o momento exato em que elas precisam ser colocadas em uma nova situação de risco.
Quanto aos efeitos visuais, estes cumprem seu papel sem comprometer a experiência, embora também não sejam exatamente um destaque da produção. Em alguns momentos, porém, é difícil não perceber o uso das famosas telas verdes, o que acaba quebrando um pouco a imersão.
Contudo, apesar das fragilidades do roteiro, A Queda 2: No Limite ainda consegue entregar uma experiência divertida. Há situações suficientemente tensas para arrancar alguns sustos e manter o espectador envolvido, especialmente quando o filme explora o medo da altura e as dificuldades enfrentadas pelas personagens.
Além disso, Jax é uma protagonista carismática, que passa por aprendizados importantes e substanciais, fazendo com que a jornada tenha algum peso emocional, mesmo quando o roteiro não consegue desenvolver essas questões da maneira mais convincente.
O filme entende bem aquilo que torna essa franquia divertida: colocar seus personagens diante de situações absurdamente perigosas e fazer o público sentir a tensão de cada passo. Não é uma sequência que reinventa a fórmula, mas consegue entregar uma experiência de sobrevivência competente, com bons momentos de suspense e uma dupla de protagonistas que sustenta a jornada até o fim.
A Queda 2: No Limite estreia nos cinemas brasileiros no dia 01/10/2026.

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