AQUELE QUE VIU O ABISMO | Brasil | 2026
Direção: Gregorio Gananian e Negro Leo
Roteiro: Gregorio Gananian, Negro Leo e João Dumans
Elenco: Negro Leo, Danielly O.M.M Kaufmann, Ava Rocha, Lena Kilina, Alê Amazônia, Clara Choveaux
Distribuição: Embaúba Filmes
Duração: 71 minutos
Sinopse: Imerso em uma complexa trama de assassinatos, X usa suas visões para tentar sobreviver e navegar por um sistema opressor. Ele se vê encurralado pela ProLife, uma empresa multinacional que recruta civis oferecendo a possibilidade de uma vida eterna.
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Dirigido por Gregorio Gananian e Negro Leo, Aquele Que Viu o Abismo aborda questões como o controle das grandes corporações; promessa de imortalidade; vigilância e perda da liberdade; alienação social; identidade e consciência, tudo em um tom contemplativo e experimental.
O filme privilegia a atmosfera, simbolismo e reflexão filosófica ao invés de uma narrativa convencional. Quem procura um longa nos moldes tradicionais de ficção científica pode achá-lo lento, enigmático e até mesmo performático. Em muitos momentos, ele parece menos interessado em contar uma história do que em provocar um estado de espírito. Sua narrativa fragmentada não busca conduzir o espectador pela mão; ao contrário, exige que ele aceite caminhar por um território de estranhezas.
O mundo distópico apresentado não depende de grandes cenas de ação ou de efeitos espetaculares. O verdadeiro terror nasce da normalização do controle, da promessa sedutora de segurança e da facilidade com que as pessoas entregam a própria autonomia em troca de conforto. Nesse aspecto, o filme dialoga mais com inquietações filosóficas do que com o entretenimento convencional.
Aquele Que Viu o Abismo possui um ritmo lento, que pode fazer com que o espectador demore para se encontrar na narrativa. Em vez de explicar seu universo, o filme prefere sugeri-lo por meio de silêncios, espaços vazios e pequenos detalhes. Essa escolha fortalece a atmosfera, mas também pode tornar a experiência excessivamente hermética para quem espera respostas claras.
Em alguns momentos, a opção pelo simbolismo parece se sobrepor ao desenvolvimento dramático. Certas sequências sugerem ideias interessantes, mas permanecem abstratas a ponto de enfraquecer o envolvimento emocional. O risco de um cinema tão alegórico é justamente confundir profundidade com opacidade, e o filme ocasionalmente flerta com esse limite.
Por fim, a narrativa deixa em aberto o que é real e o que faz parte das visões de X. Em vez de concluir todos os acontecimentos, o filme convida o público a interpretar se o protagonista conseguiu romper o ciclo de manipulação da ProLife ou se permaneceu preso a ele. Mas apesar dessa provocação a sensação que fica é de uma experiência estética e experimental, que acaba se sobressaindo na narrativa do longa.
Aquele Que Viu o Abismo estreia nos cinemas brasileiros no dia 30/07/2026.

Saboroso Cadáver é um livro que prende o leitor pela bizarrice e brutalidade de sua história.