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ATÉ QUE OS MORTOS NOS SEPAREM

Por: Diego Aleluia Jaffré

Autoras: Marina Porteclis e Tálita Heusi


Editora: Avec Editora.


Páginas: 152


Sinopse: Num condomínio de luxo onde tudo parece sob controle, Helena e Lavínia vivem lado a lado. Separadas por muros, vão se unir por algo perigoso. Helena sustenta uma vida perfeita, mas esconde muito. Lavínia, isolada e impenetrável, também guarda silêncios que deveriam permanecer no escuro. Quando uma carta atravessa o muro que as separa, o incômodo vira provocação — e a resposta, uma comunicação insólita. Entre tensão psicológica, desejo crescente e revelações perturbadoras, Helena e Lavínia veem-se presas em um jogo onde nada é o que parece e o que antes era água pode se tornar fogo. Um suspense sáfico envolvente sobre obsessão, segredos e os limites cruéis entre o que deve permanecer vivo e o que precisa ser inexoravelmente morto.


Resenha: Nas palavras de John Donne (poeta e clérigo), “nenhum ser humano é uma ilha”, a vida em sociedade é feita de constantes interações, sejam boas ou ruins, são estes momentos que ensinam alguém a valorizar a si mesmo e às outras pessoas ao seu redor. Um desses tipos de interação vêm de um ambiente mais íntimo, a moradia. Um espaço de muros literais e figurados, onde mesmo possuindo um espaço, ainda se está à mercê da vida comunitária. É em um desses condomínios de luxo que conhecemos as protagonistas, Helena e Lavínia, que começam sua jornada improvável a partir de uma maneira bem brasileira… Uma briga por correspondência.


Helena começa o contato com uma reclamação, as luzes, o jardim, as decorações pagãs de Lavínia a agridem e a motivam a escrever uma carta bem passiva-agressiva. Aqui a maior força do livro se revela: o texto criativo e cativante das personagens se atacando e retrucando. No início eu estranhei a estrutura da obra, pois cada capítulo é uma carta que dá continuidade a um longo diálogo entre as personagens. No início eu senti falta de outros personagens que complementariam a narrativa, fiquei em dúvida de como as autoras iriam trabalhar a parte descritiva dos ambientes. Mas, aqui menos é mais, fora que as duas personagens contam com personalidades tão cativantes, as cartas são muito bem escritas, as ofensas criativas e as autoras souberam apostar bem na grande curiosidade do público para uma boa fofoca.


A narrativa se desenrola como um grande diálogo, porém, essa abordagem não diminui o impacto das diversas reviravoltas do roteiro. A jornada de Helena e Lavínia é marcada por constantes revelações, descobertas e paixões fulminantes. Os segredos apresentados no livro trazem consigo uma repulsa, mas ao mesmo tempo despertam uma curiosidade mórbida no leitor. Além do suspense, o livro carrega um conteúdo erótico bem descritivo e provocativo, que se apresenta de maneira natural e se torna relevante para o andamento da trama. Minha única crítica, porém, vai para um desses momentos. Uma das personagens descreve sua paixão carnal no meio de um diálogo que não tocava no assunto, fazendo parecer meio intrusivo ou falta de maturidade.


Em suma, “Até que os Mortos nos Separem” é uma narrativa envolvente que sabe brincar com a expectativa do leitor. Uma montanha russa emocional que mostra como viver, morrer e renascer está mais conectado do que aparenta.


“Até que os Mortos nos Separem” está em pré-venda no site da Avec.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/ate-que-os-mortos-nos-separem?id=1914
| 260 | 25/06/2026
Até que os Mortos nos Separem é uma narrativa envolvente que sabe brincar com a expectativa do leitor.
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