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CARA-DE-BARRO

Por: Anne Hanielly

CARA-DE-BARRO (Clayface) | EUA | 2026
Direção: James Watkins
Roteiro: Mike Flanagan e Hossein Amini
Elenco: Tom Rhys Harries, Naomi Ackie, David Dencik, Max Minghella, Eddie Marsan, Nancy Carroll
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 108 minutos
Sinopse: A ascensão meteórica de Matt Hagen, de garoto de rua de Gotham a astro de Hollywood, é tragicamente interrompida quando as ações de um chefe do crime local o deixam horrivelmente desfigurado. Abandonado por sua equipe e sem nada mais, Matt busca um tratamento de ponta que, milagrosamente, o devolve ao que era antes… mas que também afeta inesperadamente sua percepção da realidade, levando-o a uma espiral destrutiva de vingança que o consome por completo.


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A DC Comics conseguiu novamente acertar o tom das suas produções. Mas, se a sua dúvida é: “Preciso conhecer o universo DC para assistir a Cara-de-Barro? Ou Quais filmes devo ver antes para entender a história?”, a resposta é simples: nenhum! O filme funciona de forma independente, com uma narrativa completa em si mesma, sem exigir conhecimento prévio do universo da DC.


Mas, para contextualizar, o que torna esse filme surpreendente é o fato de que, antes de ser um terror body horror, beirando até mesmo o romance gótico, Clayface, ou Cara-de-Barro, é um filme do universo de super-heróis criado em 1940 como um vilão do Batman, o personagem passou por diversas transformações ao longo das décadas. Com a expansão desse universo, as animações, as séries e as diferentes versões criadas e recriadas de lá para cá, atualmente o personagem era mais reconhecido como uma caricatura cômica, com participação principalmente nas séries animadas Arlequina e Comando das Criaturas. Nesse contexto, apostar no personagem para protagonizar um filme solo de terror é uma escolha ousada.


Aparentemente, as principais inspirações para o filme vêm de duas das diversas versões do personagem, reunindo, assim como sua interpretação moderna, características de diferentes fases de sua trajetória. A primeira, criada em 1940, apresenta um ator famoso por seus filmes de terror que enlouquece ao descobrir que um de seus filmes de sucesso será relançado com outro ator no papel principal. Já a segunda, introduzida em 1961, traz Matt Hagen, originalmente um caçador de tesouros que se tornou a primeira versão do personagem a ganhar poderes de metamorfose, capazes de transformar sua aparência e mudar de forma.


Assim, o filme de 2026 nos brinda com a história completa sobre a nova origem do personagem, estabelecendo a base para o universo atual. A obra inclusive introduz novos personagens, como a doutora Caitlyn Corr, interpretada por Naomi Ackie, que agora integra oficialmente o cânone expandido da DC, e consagra o nome Matt Hagen ao Cara de Barro, interpretado habilmente por Tom Rhys Harries.


Nesta versão Matt é um ator famoso de Los Angeles, o início do filme nos conduz ao glamour da Hollywood clássica e por um momento é esquecido que estamos diante de uma produção de terror. No entanto, Hagen cresceu nas periferias de Gotham e, ao retornar à cidade para comemorar seu sucesso, acaba encontrando um trágico destino. A história nos conduz de volta às ruelas da cidade, enquanto o mundo da fama revela sua outra face.


Além do enredo que se entrelaça com a corrupção policial e a noite de luxúrias sombrias, elementos já conhecidos pelos fãs de Gotham. Afinal, a podridão de Gotham é o reflexo de tudo o que há de ruim no mundo.


Cara-de-Barro representa a primeira aposta oficial da DC Comics no body horror. No entanto, em vez de explorar apenas as cenas em que o protagonista sofre agressões de terceiros, a obra intensifica a angústia ao focar nos momentos de automutilação e, sobretudo, no desespero psicológico de Matt, que atravessa a tela e alcança o espectador. Essa abordagem dá continuidade a um movimento de sucesso que já vinha sendo explorado desde Coringa (2019). É aqui que a DC parece encontrar seu tom: diferentemente de sua concorrente direta, a Marvel, a editora construiu uma identidade marcada também por narrativas mais sombrias, que exploram os aspectos mais perturbadores de seus personagens e universos.


Essa degradação não se limita ao pessoal, mas também reflete um contexto social marcado pela corrupção, pela traição e pelo abandono. Matt é traído por aqueles em quem confiava, inclusive seu advogado, e, desamparado pela Justiça, decide apostar a própria vida na tentativa de recuperar seu rosto, afinal, para um ator, a aparência também é seu ganha-pão, assim encontra na pesquisa da doutora Corr, e com ela, sua nova chance. Da síndrome de impostor, declarada no início da carreira, a busca desesperada por recuperar o que perdeu, o que deveria culminar no seu ápice retornando ao tapete vermelho, se torna um caminho de sangue, com formas criativas de fazer novas vítimas, suas emoções se misturam a suas mudanças físicas, e assim acompanhamos mais que a transformação do seu corpo, mas o caminho traçado pela sua vingança, e a perda do seu eu.


O roteiro que dá o norte para essa façanha é de Mike Flanagan (A Vida de Chuck, A Maldição da Residência Hill) com colaboração de James Watkins e Hossein Amini, sendo assumido depois por James Gunn, Peter Safran e Matt Reeves na produção, com a direção de James Watkins (Não Fale o Mal). A combinação resultou em um filme que “ninguém pediu” e que bom que não pediram, pois assim como o melhor tempero para a comida é a fome, a falta de expectativas é o melhor tempero do cinema.


O desejo que fica é que a inspiração de Mike Flanagan alcance outros roteiristas e diretores que apostem em novas obras, e diminuam os remakes.



Cara-de-Barro estreia nos cinemas brasileiros no dia 22/10/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/cara-de-barro?id=2010
| 14 | 21/10/2026
A ascensão meteórica de Matt Hagen, de garoto de rua de Gotham a astro de Hollywood, é tragicamente interrompida quando as ações de um chefe do crime local o deixam horrivelmente desfigurado. Abandonado por sua equipe e sem nada mais, Matt busca um tratamento de ponta que, milagrosamente, o devolve ao que era antes… mas que também afeta inesperadamente sua percepção da realidade, levando-o a uma espiral destrutiva de vingança que o consome por completo.
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