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CHEYENNE

Por: Diego Aleluia Jaffré

Autores: Michele Masiero e Fabio Valdambrini


Editora: Editora 85


Páginas: 292


O faroeste é um cenário que marcou as produções audiovisuais, desde filmes clássicos como Três Homens em Conflito (The Good, the Bad and the Ugly) e Onde Começa o Inferno (Rio Bravo) até o renascimento contemporâneo do gênero com a série de TV Yellowstone. Uma época em que lendas andavam pela terra e fantasmas vagavam pelos desertos e cidades abandonadas. Uma época em que os Estados Unidos da América lutava para reafirmar sua nova identidade e que os povos originários foram obrigados a escolher entre a assimilação ou o massacre. Em Cheyenne, a dupla  Masiero e Valdambrini se inspira no cinema e na História para trazer uma narrativa sobre pertencimento, choque cultural e violência. Tudo isso em meio a um país em desenvolvimento e em busca de uma identidade.


 


A obra começa com um massacre a uma tribo indígena que não apresenta grande resistência ao exército estadunidense, a razão do ato bárbaro até então desconhecida. Os soldados constantemente lembrando que os indígenas são menos que humanos e que quebraram sua promessa ao governo, ao ponto de não respeitarem nem mesmo a própria bandeira sendo hasteada pelo líder da tribo. Por fim, o leitor descobre a razão do ataque, uma criança branca que vivia com os indígenas. A partir daí, a história vai adotar uma narrativa não linear, fazendo saltos entre o passado, presente e futuro. Algo que não me agradou tanto no início, algumas passagens se misturavam e não conseguia diferenciar logo de início, porém, esta estrutura possui uma justificativa narrativa convincente.



Um dos maiores méritos de Cheyenne está em seu roteiro, com personagens moralmente acinzentados que lutam para sobreviver em um ambiente hostil e compartilhado por culturas diferentes. O conflito entre indígenas e brancos retratado pelo roteiro de Masiero, consegue apresentar um embate cultural no qual bondade e brutalidade podem aflorar dos dois lados e foge da dicotomia entre heróis e vilões. Somado aos belos desenhos de Valdambrini, que conseguem capturar tanto os aspectos culturais dos personagens quanto a beleza selvagem de um território que desconhece o "avanço" branco.


Em suma, Cheyenne é uma obra que destoa da estrutura clássica das histórias de faroeste, mas possui momentos que parecem confusos em um primeiro contato. Felizmente a trama consegue recapturar o leitor, trazer momentos cativantes e guiar para o fim da leitura. Cheyenne pode ser adquirido no site da Editora 85 e na  Amazon

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/cheyenne?id=1597
| 298 | 25/08/2025
Em Cheyenne, a dupla Masiero e Valdambrini se inspira no cinema e na História para trazer uma narrativa sobre pertencimento, choque cultural e violência.
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