COYOTE VS. ACME | EUA | 2026
Direção: Dave Green
Roteiro: Sammy Burch (baseado no artigo escrito por Ian Frazier)
Elenco: Will Forte, Lana Condor, John Cena, P.J. Byrne, Tone Bell, Eric Bauza
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 101 minutos
Sinopse: Após os produtos Acme falharem inúmeras vezes em sua busca pelo Papa-Léguas, Wile E. Coyote decide contratar um advogado para processar a Acme Corporation. O caso coloca Coyote e seu advogado contra o intimidador ex-chefe, e cresce uma amizade entre o advogado e o desenho animado, que alimenta a determinação deles em vencer o caso.
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Coyote Vs. Acme se vale da nostalgia dos personagens já conhecidos, porém, diferente de Space Jam 2, em um mundo de reboots e continuações, trabalha uma nova história. Nova, porém antiga, já que ela é baseada em um artigo de humor da revista New Yorker, escrito por Ian Frazier e publicado em 1990 (que pode ser lido, no original em inglês, aqui). A obra original simula os argumentos de abertura do advogado do Coyote no Tribunal Distrital dos Estados Unidos, no Distrito do Sudoeste, em Tempe, Arizona.
O filme foi anunciado pela primeira vez em 2018, com previsão de lançamento para 2020, mas enfrentou diversos atrasos e um polêmico cancelamento em 2023 pela Warner Bros., mesmo já estando praticamente finalizado. Agora, retorna graças à Ketchup Entertainment, que comprou os direitos de distribuição por um investimento de aproximadamente US$ 50 milhões. Essa é a segunda vez que o estúdio “salva” uma animação da franquia, o mesmo aconteceu com Looney Tunes - O Filme: O Dia Que A Terra Explodiu (crítica aqui).
No elenco principal Will Forte interpreta o querido advogado de porta de cadeia Kevin Avery, com uma clara pitada de Saul Goodman, seu rosto está espalhada em todos os outdoors de Albuquerque. Porém, diferente de ajudar criminosos a burlar a lei, seus principais casos são ajudar desenhos animados a fazerem pequenos acordos contra a Acme e seus produtos, que dominam praticamente todos os nichos e serviços. Um conglomerado gigantesco dirigido por ninguém menos que o personagem Frangolino, com Buddy Crane (John Cena) como seu advogado corporativo.
John Cena como vilão é uma adição que fortalece a diversão do filme. Contudo, a franquia mostra a força dos seus personagens quando o aparecimento do Pernalonga carrega mais comoção que a do próprio ator.
Lana Condor, como Paige Avery, uma estagiária de advocacia começando a vida adulta, é o olhar infantil do novo espectador. Ela não entende como você poderia se preocupar em ir à falência e não em ajudar um desenho animado. Paige faz contraparte na investigação do caso com o seu amargurado tio, Kevin Avery (Will Forte), um homem moído pela vida, que talvez seja mais identificável em algumas das crianças que hoje chegam aos 70 anos, entretanto, uma das lições do filme está na perseverança das inúmeras tentativas do senhor Wile E. Coyote, incansável em sua busca pelo Papa-Léguas desde 1949, ensinando Kevin a não desistir.
O humor do filme não se vale apenas da mistura do mundo real com a Toon Force, o próprio filme nos diz isso. Ele traz críticas e o sarcasmo que adoramos ver misturados ao universo animado. Alguns questionamentos ficam, como “por que ele não utilizou aquela montanha de casos contra a Acme para mostrar um padrão?”. Mas talvez isso seja jurídico demais. Como Crane (John Cena) deixa claro, os promotores já estavam comprados, demonstrando, mais uma vez ao longo do filme, a dificuldade de enfrentar uma grande corporação e fazê-la pagar pelos seus erros. Qualquer semelhança com a realidade é uma mera coincidência — ou não. E, para não desfazer completamente da justiça dos Estados Unidos, o gênio Coyote nos brinda com um dos seus planos desnecessariamente complicados, o que antes tinha o objetivo de capturar seu amigo e jantar dos sonhos, Papa-Léguas, acaba por prender o Frangolino e seu Advogado com o escudo da Águia Americana em uma gaiola bem engenhosa.
Apesar disso, a obra nos brinda com todo o contexto e flashbacks de exibições do desenho original com algumas das inúmeras vezes em que o Coyote foi despedaçado, explodido por dinamites, esmagado por rochas, rolos compressores, pianos, atropelado por trens, enganado por túneis e ímãs, sacudido por foguetes, estraçalhado por turbinas, impulsionado por patins a jato, e despencou de todos os penhascos do deserto.
Essas são cenas que podem cativar o novo público, assim como cativou a antiga geração. Com classificação indicativa livre, apesar da violência cartunesca, é uma indicação tanto para crianças quanto para adultos. Afinal, desenhos animados não morrem.
Por fim, a história se mostra mais cativante do que seu título promete. Com uma animação de qualidade, humor na medida certa e personagens icônicos do universo Looney Tunes, Coyote Vs. Acme é uma obra ridiculamente cativante do início ao fim, provando que ainda há espaço para contar novas histórias com personagens antigos.
Coyote Vs. Acme estreia nos cinemas brasileiros no dia 27/08/2026.

Joaquin Phoenix executa de forma brilhante e peculiar (mais uma vez) um papel digno de notória consagração.