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DOLLY - A BONECA MALDITA

Por: Matheus Lins

DOLLY - A BONECA MALDITA (Dolly) | EUA | 2026
Direção: Rod Blackhurst
Roteiro: Rod Blackhurst e Brandon Weavil
Elenco: Fabianne Therese, Russ, Tiller, Michalina Scorzelli, Kate Cobb, Ethan Suplee, Seann William Scott
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 83 minutos
Sinopse: Uma jovem chamada Macy luta para sobreviver após ser sequestrada por uma figura monstruosa e perturbada que deseja criá-la como sua filha.


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Muitos filmes considerados “B” acabam conquistando uma base de fãs pelo charme teatral do longa. Boas obras de baixo orçamento convencem o público e a crítica da história ali contada, mesmo sem tantos recursos de produção. Em alguns casos, como um filme de terror por exemplo, logo nos primeiros segundos, somos fisgados pelo despertar do medo oriundo de uma figura enigmática que brota na tela e gera tensão logo após os créditos iniciais. Mesmo não sendo a melhor fantasia/maquiagem já produzida, o conceito da criatura bizarra pode nos atrair como um ícone para toda a trama.


E é isso que acontece em Dolly: A Boneca Maldita. Pelo menos por algum tempo.


A história acompanha Macy, uma jovem que luta pela própria sobrevivência após ser sequestrada por uma figura perturbada e monstruosa, que acredita poder criá-la como sua própria filha. Em um cenário claustrofóbico e brutal, a protagonista é forçada a enfrentar não apenas a violência física, mas também o terror psicológico de sua condição.


Se trata de uma obra cativante dentro dos limites do orçamento destinado pelo estúdio. Há, sem dúvida, um conjunto interessante de ideias, signos e conceitos que sustentam a narrativa, especialmente na forma como o filme articula o horror físico com dimensões mais simbólicas de controle, identidade e distorção familiar.


No entanto, essa potência inicial acaba diluída por uma oscilação constante de tom: ora o longa se aproxima de um body horror mais refinado e perturbador, ora resvala em elementos típicos do cinema trash, o que compromete sua coesão estética. Essa indecisão enfraquece o impacto geral, fazendo com que o filme nunca se estabeleça plenamente em uma identidade própria.


Vale destacar positivamente a maquiagem da cena do personagem interpretado pelo ator Seann William Scott (American Pie), basta assistir que você ficará de boca aberta.


Em contrapartida, o longa pouco se esforça para expandir o universo que sugere. Seus cenários são funcionalmente limitados e, em certa medida, genéricos: a casa isolada no meio da floresta, algumas bonecas envelhecidas estrategicamente posicionadas e efeitos de sangue que remetem mais ao artificial do que ao perturbador.


Falta ao filme um trabalho mais inventivo de ambientação que amplie sua mitologia ou aprofunde a sensação de estranhamento. Assim, o que poderia enriquecer a experiência acaba soando familiar demais — um conjunto de elementos que o espectador já reconhece de inúmeros outros títulos do gênero, sem que haja uma reinvenção significativa desses códigos.


A protagonista, interpretada por Fabianne Therese, não sustenta com consistência o peso emocional da narrativa, o que compromete a imersão em momentos que exigiriam maior intensidade dramática.


Já a figura de Dolly, que deveria ser o centro do terror, sofre com uma fisicalidade excessivamente humana: os gestos desengonçados e pouco convincentes acabam revelando mais o ator por trás da máscara do que a criatura que o filme tenta construir. Com isso, perde-se justamente o elemento de ameaça, tornando difícil acreditar no potencial perturbador da entidade que deveria conduzir o horror.


Ainda sim, o filme encontra formas de dialogar com os fãs do gênero e oferece bom entretenimento. A escolha de lentes e a estética visual evocam o horror mais clássico, remetendo diretamente a produções antigas e ajudando a construir uma atmosfera nostálgica. Além disso, o filme acerta ao sugerir uma leitura sobre a maldade humana e suas consequências, indo além do susto fácil em alguns momentos.


Há também ideias interessantes no campo das torturas psicológicas, especialmente em uma cena envolvendo a “alimentação” da protagonista, que se destaca por sua coerência com a lógica da criatura. Nesse ponto, o longa consegue alinhar forma e conteúdo, criando uma situação genuinamente perturbadora, ainda que pontual, e mostrando o potencial que o filme poderia ter explorado com maior consistência ao longo de sua narrativa.


Por fim, Dolly: A Boneca Maldita acaba soando superficial em sua execução, sem empolgar (ou amedrontar) de forma mais contundente o público. Ainda assim, há um potencial latente que não deve ser ignorado. A base conceitual existe, e a própria figura de Dolly carrega elementos que poderiam ser melhor explorados em um contexto mais ambicioso.


Quem sabe uma eventual continuação, com maior orçamento e direção mais segura, não consiga lapidar essas ideias e transformar o que aqui é apenas sugestão em algo mais sólido? Existe espaço para que a personagem evolua e, com o tratamento adequado, se consolide como um novo ícone dentro do cinema slasher, desde que o filme encontre uma identidade mais definida e saiba explorar com mais criatividade o universo que propõe. 



Dolly - A Boneca Maldita estreia nos cinemas brasileiros no dia 07/05/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/dolly-a-boneca-maldita?id=1844
| 367 | 05/05/2026
Uma jovem chamada Macy luta para sobreviver após ser sequestrada por uma figura monstruosa e perturbada que deseja criá-la como sua filha.
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