MALÊS | Brasil | 2025
Direção: Antonio Pitanga
Roteiro: Manuela Dias
Elenco: Rocco Pitanga, Antonio Pitanga, Camila Pitanga, Samira Carvalho, Rodrigo de Odé, Bukassa Kabengele, Heraldo de Deus, Patrícia Pillar
Distribuição: Imovision
Duração: 114 minutos
Sinopse: Durante seu casamento, dois jovens muçulmanos são arrancados de sua terra natal na África e escravizados no Brasil. Separados pelo destino cruel, ambos lutam para sobreviver e se reencontrar, enquanto se veem envolvidos na maior insurreição de escravizados da história do Brasil: a Revolta dos Malês.
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Dirigido por Antônio Pitanga, fruto e memória viva do Cinema Novo, chega aos cinemas o longa-metragem Malês. Há quase três décadas, retratar a história do maior levante organizado por escravizados islamizados, ocorrido em 1835, em Salvador, era a menina dos olhos do ator e diretor. Segundo fala de Pitanga na pré-estreia do filme, no Open Air Brasll na capital baiana: “O Brasil não conhece sua memória cidadã”, revelar o passado de luta do povo negro é um modo de reparação histórica a esse movimento que sofreu apagamento na história do Brasil.
Em Malês, inicialmente somos transportados para o Reino de Oyo, em 1830, onde Dassalu (Rocco Pitanga) e Abayome (Samira Carvalho) têm sua cerimônia de casamento interrompida por uma violenta invasão, na qual são capturados e separados. Anos mais tarde, Dassalu integra o grupo liderado por Pacífico Licutan (Antônio Pitanga), que objetiva trazer liberdade aos escravizados. Vale ressaltar que o personagem interpretado por Pitanga fez parte da liderança real do movimento que deu origem à Revolta dos Malês.
Além da bandeira em prol da liberdade, o movimento também era de cunho religioso. Um dos objetivos centrais do grupo era a construção de uma mesquita em solo baiano, já que parte dos integrantes do movimento estavam afastados de sua religiosidade devido ao tráfico atlântico. Contudo, o movimento não era composto apenas por africanos escravizados, também haviam alforriados entre o grupo. Assim, somos apresentados a Vitório Sule (Heraldo de Deus) e Sabina (Camila Pitanga), o casal vive um conflito de interesse político e religioso, enquanto Sabina frequenta o terreiro de candomblé liderado pela iyalorixá Iyá Nassô (Edvana Carvalho) e parece satisfeita com sua condição de alforriada, seu parceiro Vitório opta participar do grupo liderado por Licutan e lutar pela emancipação de seu povo.
A violência do período escravocrata e a banalização do mal aplicado a esses corpos é muito bem representada através da personagem Mamãe A (Patrícia Pillar), fazendeira e dona de escravos, a personagem não exibe nenhum remorso ao infligir castigos corporais em seus subjugados. A vida do povo negro em sua óptica é apenas mercadoria. Num momento de crise financeira, a personagem decide inaugurar um novo empreendimento e dar início a sua própria criação de escravos. Outra personagem que ilustra bem o desprezo e o sentimento de superioridade é a freira interpretada por Ítala Nandi, que considera as jovens negras que vivem no convento ignorantes por não falarem o português e não compartilharem de sua fé.
Malês consegue por em tela a luta de um povo por sua liberdade sem recorrer a estereótipos, sem homogeneizar seus personagens, optando por exibir seus conflitos particulares. No entanto, apesar de uma narrativa bem construída, o número de personagens e suas tramas paralelas impactam negativamente a continuidade do longa. O ponto alto de Malês para o público é a belíssima experiência visual através de sua fotografia, locações e figurinos, além de um incrível trabalho de som.
Malês estreia nos cinemas brasileiros no dia 02/10/2025.

Três anos depois dos eventos de Pantokrátor, Simão, o mago desapareceu. Os brasileiros definham nos universos colaterais da Kopf des Jochanaan, formam filas nas Casas de Suicídio Terapêutico, lotam igrejas e ouvem Mahler. Os neo-ortodoxos expandiram seu poder. O Regime endureceu e implodiu o Cristo Redentor. O Pantokrátor está em movimento e deseja Simão a qualquer custo. Para tirá-lo das sombras, a divindade lógico-algorítmica ordenou a captura de Felipe Parente, que hesita entre fugir ou lutar. Mesmo sabendo que é impossível vencer.