Título: Mouse Guard, Outono de 1152
Autor: David Petersen
Editora: Conrad.
Páginas: 200.
Nas histórias de fantasia, é comum o leitor acompanhar um grupo ou protagonista que constantemente está em desvantagem. Seja pelo número de inimigos, sua força física inferior ou até uma idade mais jovem. Mas, em Mouse Guard, o autor David Petersen consegue ir além e fazer com que o mundo que cerca seus protagonistas apresentem constante ameaça.
No mundo da Guarda, os camundongos possuem uma sociedade medieval que busca sobreviver em meio a inúmeras adversidades. Porém, os pequenos animais possuem uma tropa de elite que carrega o nome da obra. Responsáveis pela segurança interna e externa, a Guarda foca tanto no treinamento marcial quanto no raciocínio estratégico. O grupo principal é composto por: Saxon, Kenzie e Lieam. Que possuem a missão de rastrear um mercador desaparecido, mas acabam presos em uma teia política que promete acabar com o poder da guarda e o mundo como os guardiões conhecem.
A dinâmica do grupo principal é familiar, Saxon é o guerreiro impulsivo, Kenzie o estrategista e Lieam o jovem recruta que aprende com seus superiores, mas mantém uma individualidade em suas técnicas. Cada um serve como arquétipo de como a Guarda funciona como instituição, de uma maneira bem gestáltica, o todo se difere da soma das partes. Mostrando como a instituição cresce junto com o aprendizado de cada membro. Além disso, Petersen consegue demonstrar singularidades para seu elenco limitado de personagens, colocando capas de cores coloridas (a la tartarugas ninjas) e representando bem o estilo de combate de cada personagem.

Mouse Guard apresenta um mundo instigante. Mesmo que a representação de uma sociedade com pequenos personagens antropomórficos não seja nova, a escolha de manter a escala e perspectiva destes pequenos animais, faz com que elementos cotidianos ganhem um novo ar de ameaça. A arte detalhada, cores quentes e elementos fofos, fazem com que as partes soturnas e de batalha ganhem um ar próprio, fazendo com que o leitor sempre se surpreenda com o aspecto gráfico. O que infelizmente não acontece do ponto de vista narrativo. A história não chega a ser ruim, contudo, leitores mais experientes acabam pegando a direção da história com mais facilidade. Isso acaba ocorrendo por um excesso de subtramas e uma sequência acelerada de acontecimentos, que acabam diminuindo os impactos importantes da trama.
Em suma, Mouse Guard é uma ótima obra para quem está começando a ler quadrinhos ou gostaria de presentear alguém de uma demografia mais nova. Ela diverte, prende o leitor e consegue deixar o mesmo intrigado para o futuro. Mas, para um leitor veterano o impacto é diminuído e a magia da arte acaba substituindo o conjunto completo da obra. Mouse Guard, Outono de 1152 pode ser adquirido na Amazon ou em outras lojas parceiras da Conrad.

Misto de adaptação e história inédita, O Matrimônio de Céu & Inferno conta com roteiro de Enéias Tavares e arte de Fred Rubim em uma edição luxuosa da editora AVEC.