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NA ZONA CINZENTA

Por: Matheus Lins

NA ZONA CINZENTA (In the Grey) | EUA / Reino Unido | 2026
Direção: Guy Ritchie
Roteiro: Guy Ritchie
Elenco: Henry Cavill, Jake Gyllenhaal, Eiza González, Kristofer Hivju, FIsher Stevens, Rosamund Pike
Distribuição: Diamond Films Brasil
Duração: 98 minutos
Sinopse: Dois especialistas em resgate precisam encontrar uma rota de fuga para uma negociadora que possui milhões em dinheiro roubado na conta. O plano, porém, rapidamente se transforma numa guerra explosiva de traições, estratégias e sobrevivência.


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Os filmes de ação sempre ocuparam um espaço especial na história do cinema. Seja pelas perseguições eletrizantes, pelas cenas de combate coreografadas ou pelo puro entretenimento que proporcionam, o gênero atravessou décadas se reinventando sem perder sua essência: envolver o espectador em uma experiência intensa e divertida.


De clássicos estrelados por heróis invencíveis aos thrillers contemporâneos mais contidos e táticos, o cinema de ação consolidou sua importância justamente por compreender o espetáculo como linguagem. E, dentro dessa tradição, Na Zona Cinzenta busca encontrar seu espaço ao apostar na tensão e uma divertida irreverência.


O filme acompanha Sophia (Eiza González), uma advogada especializada em fraudar e sabotar empresas de grandes magnatas, como forma de coagi-los a pagarem suas dívidas aos seus credores. Para isso, ela conta com uma dupla Bronco (Jake Gyllenhaal) e Sid (Henry Cavill), especialistas em extração e sabotagem, encarregados de executar todos os planos articulados.


O diretor e roteirista Guy Ritchie mantém em Na Zona Cinzenta algumas das marcas mais características de sua filmografia. A principal delas talvez esteja na forma como conduz a exposição narrativa, utilizando a própria protagonista para narrar determinados acontecimentos e contextualizar a missão ao espectador.


Ainda que esse recurso pudesse facilmente tornar o filme excessivamente explicativo, Ritchie conduz esses momentos com ritmo e irreverência suficientes para que a dinâmica nunca se torne cansativa. Pelo contrário, a narração ajuda a reforçar o tom descontraído e estilizado da obra. Ao fugir da simplicidade excessiva que domina boa parte dos filmes de ação contemporâneos, a narrativa atrai o espectador. Em vez de apostar apenas em um conflito raso entre heróis e vilões claramente definidos, o longa constrói uma história que encontra interesse justamente em suas ambiguidades.


Os personagens estão longe de serem figuras moralmente impecáveis, pessoas movidas por interesses e decisões questionáveis, o que torna suas relações mais humanas e imprevisíveis. Essa ausência de uma divisão tão óbvia entre “bons” e “maus” acrescenta camadas ao filme e faz com que a trama mantenha um envolvimento maior do que o habitual dentro do gênero.


Outro ponto em destaque, está na maneira como o filme equilibra efeitos práticos e digitais em suas sequências de ação. Há uma preocupação evidente em manter o peso físico das cenas, permitindo que explosões, perseguições e confrontos transmitam impacto real ao espectador.


O terceiro ato, no entanto, acaba representando o ponto mais fraco da obra. Depois de construir uma narrativa mais interessante e personagens menos convencionais, passa a abraçar alguns dos clichês mais desgastados do cinema de ação. Os protagonistas assumem uma postura quase inatingível, atravessando sequências em que diversos inimigos atiram incessantemente sem que existam consequências realmente significativas. É o tipo de exagero que enfraquece parte da tensão construída anteriormente, especialmente porque o filme parecia disposto a seguir um caminho mais contido e imprevisível.


Ainda assim, isso está longe de comprometer completamente a experiência. O longa continua funcionando como entretenimento eficiente e estiloso, mas o desfecho deixa a sensação de que havia potencial para algo ainda mais marcante.


No fim, Na Zona Cinzenta entrega exatamente aquilo que promete: ação estilizada, personagens carismáticos e a irreverência característica de Guy Ritchie conduzindo tudo com ritmo e personalidade. Mesmo escorregando em clichês no ato final, o filme mantém o entretenimento em alta e mostra mais ambição do que grande parte das produções atuais do gênero. A obra pode não reinventar completamente a roda, mas sabe muito bem como fazê-la girar de maneira divertida.



Na Zona Cinzenta estreia nos cinemas brasileiros no dia 14/05/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/na-zona-cinzenta?id=1854
| 386 | 14/05/2026
Dois especialistas em resgate precisam encontrar uma rota de fuga para uma negociadora que possui milhões em dinheiro roubado na conta. O plano, porém, rapidamente se transforma numa guerra explosiva de traições, estratégias e sobrevivência.
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