TÍTULO ORIGINAL: The Accountant 2 | Ano de Produção: 2025 | Estados Unidos
DIREÇÃO: Gavin O'Connor
ROTEIRO: Bill Dubuque
ELENCO: Ben Affleck, Jon Bernthal, Cynthia Addai-Robinson, J.K. Simmons, Allison Robertson, Alison Wright, Daniella Pineda, Robert Morgan Burke, Andrew Howard, Yael Ocasio, Lombardo Boyar, Michael Tourek, Fernando Chien, Abner Lozano, Talia Thiesfield, Presley Alexander, Nik Sanchez
DISTRIBUIDORA: Warner Bros
DURAÇÃO: 124 min
SINOPSE: A trama acompanha Christian Wolff (Ben Affleck), que retorna à ação ao ser recrutado pela agente do Tesouro Americano Marybeth Medina (Cynthia Addai-Robinson) para resolver um caso perigoso. Com a ajuda de seu irmão distante Braxton (Jon Bernthal), ele enfrenta uma rede de assassinos profissionais enquanto tenta desvendar um mistério mortal.
RESENHA CRÍTICA:
Quando um filme é anunciado como sequência de uma obra de ação bem-sucedida, espera-se que ele traga algo novo ao gênero ou, pelo menos, justifique sua existência com uma trama envolvente. No entanto, "O Contador 2" se revela uma experiência frustrante, confusa e, em última instância, completamente dispensável. Ao invés de aprofundar seu protagonista ou reinventar a fórmula, o longa se contenta em repetir exaustivamente o ciclo de tiros, explosões e combates sem propósito.
Desde os primeiros minutos, fica evidente que o filme segue pelo caminho da previsibilidade extrema. A protagonista inicial, que guarda consigo uma série de segredos (confusos e contraditórios entre si), enfrenta uma legião de inimigos sem ser atingida por uma única bala sequer, desafiando todas as leis da probabilidade. O espectador assiste às cenas de ação sabendo exatamente como elas vão se desenrolar: no mais, no decorrer da trama, Christian Wolff (Ben Affleck) derrotará seus adversários com precisão matemática, sem um único arranhão. Tudo muito chato, previsível e saturado. Se havia alguma expectativa de uma abordagem inovadora nesse sentido, esse filme trata de esmagá-la sem piedade.
Ainda assim, é preciso reconhecer que "O Contador 2" pode agradar aqueles que buscam um filme de ação despretensioso, sem grandes exigências narrativas. Há quem goste de “Velozes e Furiosos”, por exemplo. Para esse público, a estética visual e as cenas de combate bem coordenadas podem ser suficientes para garantir uma experiência minimamente satisfatória. O longa não se preocupa em reinventar o gênero, mas entrega um espetáculo visual competente para quem aprecia perseguições intensas e confrontos clichês, mas minimamente elaborados (o típico feijão com arroz).
A trama, que inicialmente se propõe a abordar temas complexos e impactantes, como imigração ilegal e tráfico de armas, acaba se perdendo em um roteiro excessivamente prolixo e pouco envolvente. Ao longo da narrativa, diversos elementos são introduzidos sem desenvolvimento adequado, resultando em um emaranhado de acontecimentos desconexos que dificultam a imersão do espectador. A cena em que uma personagem central aparece no hospital jogando xadrez exemplifica bem essa desordem: por um momento, há a ilusão de que o filme finalmente organizará suas ideias em um desfecho inteligente, como um mestre enxadrista planejando seu movimento decisivo. No entanto, essa expectativa logo se desfaz, dando lugar à frustração gerada por um roteiro que falha em estabelecer coesão e propósito.
Apesar das falhas evidentes, é inegável que Ben Affleck continua sendo um dos pilares da franquia. Sua atuação carismática e sua presença em cena são fatores que, pelo menos, sustentam parte do interesse pelo filme. Para aqueles que já acompanhavam o primeiro longa e se afeiçoaram ao estilo do protagonista, pode haver um certo apelo na continuidade de sua jornada, mesmo que a execução da narrativa deixe a desejar.
Para quem busca algo novo ou que fuja ao convencional, "O Contador 2" é uma decepção monumental. Se você entrar na sessão esperando por uma história minimamente original, vai "quebrar a cara de marca maior". A fórmula de ação já desgastada é reciclada sem qualquer esforço para torná-la mais envolvente ou relevante. Os momentos que deveriam trazer nuances ao protagonista acabam sendo apenas variações de um dilema mal resolvido: ele figura entre um vilão e um semi-herói apático e nada convincente sem qualquer aprofundamento significativo, tornando difícil qualquer conexão emocional com sua jornada e dos seus pares.
O filme não apenas falha em criar um enredo coeso, mas também se arrasta sem qualquer objetivo claro, parece mais uma canoa à deriva e ainda por cima furada, sem rumo e prestes a afundar. Em vez de uma trama que evolui naturalmente, o que temos é uma narrativa desordenada e vazia, recheada de diálogos prolixos, desconexos, sem sentido. Os personagens parecem estar ali apenas para preencher o tempo de tela, sem desenvolver personalidades cativantes ou interações memoráveis. A tentativa de inserir humor é outro desastre: as piadas são fracas, de gosto duvidoso, e entregues de forma tão apática que mal se percebe qualquer esforço dos atores para torná-las minimamente funcionais.
Ainda que a obra apresente graves problemas de roteiro e execução, ela pode ter algum valor para quem apenas deseja desligar a lógica e se entregar a um entretenimento raso, “desopilar a mente” e “perder tempo”, digo, passar tempo. Não é um filme que marca ou revoluciona o gênero, mas pode cumprir sua função para os espectadores que apenas querem ver cenas de ação estilizadas e um protagonista que, mesmo sem grandes evoluções, mantém sua imponência estilística, vazia, mas mantém. No fim das contas, "O Contador 2" pode não ser brilhante, mas talvez encontre sua audiência entre aqueles que não esperam muito além do básico.
Se há um aviso para quem ainda cogita assistir a essa sequência, aqui está: vá por sua conta e risco. "O Contador 2" não é apenas um filme que falha em criar qualquer impacto duradouro; ele é um exercício de desperdício narrativo. A história começa sem fundamento, se arrasta por duas horas, e termina da mesma forma, deixando o espectador com a amarga sensação de ter perdido tempo. Se você não gosta de spoilers, talvez seja tarde demais—o maior spoiler que posso dar é justamente esse: não há sentido em tentar encontrar lógica nesse enredo.
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