Autor: Emerson Monteiro da Silva
Editora: Chiado Books Brasil - 1ª edição (5 outubro 2020)
Pedro da Mata, um investigador com a habilidade de voltar no tempo e se comunicar com os mortos, vê seu dom como uma maldição. Após resolver três casos sobrenaturais, ele se torna conhecido por lidar com o inexplicável. Agora, enfrenta um serial killer quase indestrutível e um grupo de criminosos ligados à magia negra, em uma trama repleta de suspense, terror e ação intensa.
O Detetive das Sombras é o segundo Livro da Série do detetive Pedro da Mata. Escrito por Emerson Monteiro da Silva, um assiduo frequêntador dos eventos de horror da cidade cenário de seus livros, Salvador. O autor nos apresenta um livro com 3 histórias inicialmente sem conexão que com o decorrer da leitura é possível perceber o entrelaçe entre eles. O autor tem boas ideias assustadoras e escreve bem de forma a deixar o leitor interessado do começo ao fim do livro. A passagem de tempo é clara e bem definida, apesar de ser um clássico livro policial, a história com esse toque macabro leva o leitor a querer saber exatamente como as coisas acontecerão.
No entanto, existem alguns pontos de atenção na hora de se envolver na história. Os policiais são bem caricatos como machões grosseiros, sem sensibilidade com a morte ou situações delicadas e claramente preconceituosos. Um dos detetives é homofóbico em vários momentos do livro, além do uso da xenofobia como forma de humor por outros personagens, e uma que me incomodou em particular, o jeito que o protagonista Da Mata lida com seus problemas de relacionamento com a namorada Karina. Imagino que a inteção da história fosse trazer o sincretismo religioso e representar algum ritual de Umbanda, mas da forma que ficou retratado senti que incitou o preconceito religioso tanto com as raizes candomblecistas quanto aos rituais indígenas, o que reforça a discriminação e a violência sofrida por esses grupos.
Outro ponto de consideração é que o livro não se passa na atualidade, então esses estereótipos reforçam o comportamento daquela época. No entanto, alguns termos presentes na história também são ultrapassados e como um livro de lançamento recente (2020) deveriam ser revistos para não continuar sendo espalhados. Embora o livro possa ser uma crítica justamente a polícia brasileira (não acho que seja), chega a ser perigoso lê-lo sem um pensamento analitico formado, principalmente no cenário atual que muitas atitudes ali presentes como naturalizadas não devem ser reproduzidas. Além disso, faltaram vírgulas em quase todos, se não em todos, os vocativos do livro, e erros de acentuação excluídos da grafia da língua portuguesa na reforma ortográfica de 2008 que deveria ter sido corrigido pela editora.
A impressão que tive ao finalizar é que o autor tem boas ideias, mas na parte da execução houveram algumas falhas que poderiam ser evitadas. As histórias são um pouco mal diagramadas, por isso alguns momentos se passam muito rápido, algumas explicações ficam confusas no caminho e outros tão devagar que ficam repetitivos. Na segunda parte, por exemplo, alguns diálogos são representados duas vezes, o que era para indicar a volta no tempo do detetive, mas fica retratado mais como um roteiro de filme. Esse ponto se torna evidente também em outras partes do livro, fica aparente que o autor quer criar é uma narrativa cinematógráfica com os diálogos, e assim, acaba perdendo um pouco a beleza da narrativa literária inicialmente proposta.
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