Título: PANTOKRÁTOR
Autor: Ricardo Labuto Gondim
Páginas: 368
Editora: Avec
A cidade do Rio de Janeiro permeia muitas mídias, protagonista de inúmeras obras marcantes na cultura brasileira e atualmente se apresenta com uma mistura de festividade e perigo. Esse ambiente ambíguo e cativante foi o cenário escolhido pelo autor Ricardo Labuto Gondim para sua obra Pantokrátor. Uma história de ficção científica que mistura Blade Runner com Wagner, e consegue com sucesso integrar estes elementos a uma sociedade brasileira falida, vítima de um governo ditatorial e que vive na margem de uma guerra civil. Gondim também consegue trabalhar com êxito o maior charme (ou risco?) de uma ficção científica, falar do futuro enquanto o leitor reconhece o presente.
Felipe Parente Pinto é um detetive particular que não possui nem tanto sucesso, nem tanto fracasso. Porém, depois de ser contratado por uma esposa que suspeita de seu marido, sua vida entrará em choque com grandes conglomerados financeiros, o mundo do crime organizado, questões que desafiam a existência e noção de livre arbítrio. A história apresenta muitos elementos de narrativa noir e hardboiled. Trazendo um protagonista que muitas vezes complica sua situação devido a seu senso de humor e justiça, uma femme fatale misteriosa e um mistério complexo que se expande ao longo da narrativa. Gondim, no entanto, escolheu mesclar estes conceitos, familiares a narrativas estadunidenses, a uma estética brasileira marcada por aspectos multiculturais. Trazendo um frescor e personalidade o suficiente para se destacar em um gênero prolífico e competitivo.
Pantokrátor é uma obra que consegue nos dar uma faceta de seu autor, já que Gondim é teólogo e utiliza várias referências bíblicas e de outras religiões. O próprio título faz referência a uma figura superior ao ser humano. Além disso, Wagner se faz presente não só musicalmente, mas como um elemento protagonista na narrativa. O autor trabalha diversas obras do compositor que marcou a história humana e ajudou a popularizar o folclore germânico/nórdico e arturiano. O livro possui uma escrita que convida o leitor a pesquisar seus significados e referências, algo que pode afastar algumas pessoas, mas que recompensa os persistentes com maior compreensão da trama e conhecimento histórico.
Além de todo aspecto cultural, a obra possui personagens carismáticos e consegue moldar um cenário cativante que se mistura com as lendas, tecnologias e aspectos esotéricos. Destaque para Simão, um ex-padre e atual pesquisador que se apresenta como um Prometeu cibernético. Sua dinâmica com Felipe traz uma química cativante para o leitor. Além de representar o público em contato com as piadas sem graça dele.
Pantokrátor é o volume 1 de uma duologia, e consegue fazer muito bem o trabalho de fisgar o público e apresentar um cenário diferente dos clássicos do gênero. A maneira como Wagner se mistura à sociedade brasileira é quase sincrética, as diferentes facções que fazem a trama andar são interessantes e o elenco de personagens consegue a simpatia do leitor muito rápido.
A obra é uma dos pesos pesados da Avec, pode ser adquirida no site da editora e utilizando o cupom cinehorror você ganha desconto.

\"Nas Terras Perdidas\" emerge como um espetáculo sensorial.