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PLURIBUS - PRIMEIRA TEMPORADA

Por: Layla Maia Martins

PLURIBUS - PRIMEIRA TEMPORADA | EUA | 2025
Showrunner: Vince Gilligan
Elenco: Rhea Seehorn, Karolina Wydra, Carlos-Manuel Vesga, Miriam Shor, Samba Schutte, Menik Gooneratne, Darinka Arones
Produção: Sony Pictures Television
Distribuição:
 Apple TV+
Formato / Duração: temporada de nove episódios
Sinopse: A pessoa mais infeliz da Terra precisa salvar o mundo da felicidade.


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"A ideia de uma mulher que é a pessoa mais triste do mundo e que decide que ela precisa salvar o mundo da felicidade me interessou". Essa é uma fala do criador da série Pluribus, Vince Gilligan, em entrevista concedida ao g1. Que sendo também criador de séries como Breaking Bad e Better Call Saul, não é inexperiente às aclamações tanto da crítica especializada, quanto da grande população geral, e estabelece um chão seguro para se arriscar.


O g1 descreve a obra assim: “mostra a luta da mulher mais triste do mundo contra a felicidade”. A CNN Brasil considera como uma série que “mostra as dificuldades da mulher mais triste do mundo”. A alcoólatra miserável e depressiva de Albuquerque (NM), Carol Stuka (Rhea Seehorn), é uma escritora fadada ao sucesso de seu livro de romantasy, no qual foi necessário mudar o gênero do par romântico para um homem, dado seu medo de expor sua sexualidade na “vida real” da autora - muito bem estabelecido pelo seu histórico em um campo de conversão, experiência proporcionada pelo seus pais, quando mais nova. Enquanto é aclamada, esconde do público seu casamento com Helen (Miriam Shor), sua agente publicitária.


Por que o que parece estar sendo entendido como antagonista de Carol Stuka seja a felicidade?


Através da chegada de um vírus à Terra, um que transforma a consciência coletiva em arma, 12 pessoas são imunes. Todos os outros, mais de sete bilhões de pessoas, tiveram suas memórias, conhecimentos e pensamentos misturados, deixando seus corpos físicos somente como uma espécie de medium, um recipiente necessário para que os que sobraram consigam reconhecer os signos e compreender o que está acontecendo: esse é o fim da humanidade.


O vírus funciona como um AnyDesk. Essas ex-pessoas não estão compartilhando nada. Não compartilham medos, alegrias, tristezas, amores, considerações, notas de rodapé. Os seres humanos estão em um estágio de simulacro inicial, são um não-ser (ou um ex-ser), movendo-se por algo que copia à todos, e copia a humanidade, enquanto continuam tendo a imagem física de conhecidos.
Por isso, não existe felicidade, existe a vontade do vírus de demonstrar o que a própria Carol entende como felicidade. O antagonista da série não é o que ela busca, uma demonstração de felicidade inquestionável e absoluta, mas é justamente como ela quer ser tratada, vista, abraçada. À ela são reconstruídos espaços que já não existiam mais, conhecimentos de pessoas que morreram, a oportunidade de revisitar lugares e pessoas. Diante disso, vale a reflexão sobre o vírus:


Quando você controla todo mundo, você também viaja no tempo, né?


E é difícil compreender que o controle não resulta no compartilhamento, mas sim na perda total de agência, quando é corpo do seu filho conversando com você, como uma das sobreviventes, Laxmi (Menik Gooneratne). Ou quando são seus parentes indígenas cantando ritos da sua cultura, com Kusimayu (Darinka Arones). Ou quando consegue usufruir de todos os serviços carnais que se interessar, como Mr. Diabaté (Samba Schutte).


É justamente nessa confusão entre os sobreviventes, que Manousos (Carlos Manuel Vesga) destaca-se como possível salvador da humanidade. Ele compreende o vírus, não vira para trás quando sua “mãe” o chama, é cuidadoso para não cair nas graças da disposição de simpatia que encontra durante seu caminho até Carol Stuka, ele sabe que já não são pessoas.


Apesar da crítica sobre o ritmo da série, sobre episódios fillers (besteira, entenda o silêncio) e final aberto (a segunda temporada já foi confirmada), é uma construção animadora de perspectivas sobre individualidade e contradições, enquanto estruturadores da realidade material, que vale a pena dar uma chance.



Pluribus estreia dia 7 de novembro de 2025 no Apple TV.


 

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/pluribus-primeira-temporada?id=1742
| 441 | 05/01/2026
A pessoa mais infeliz da Terra precisa salvar o mundo da felicidade.
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