PRÉDIO VAZIO | Brasil | 2025
Direção: Rodrigo Aragão
Roteiro: Rodrigo Aragão
Elenco: Lorena Corrêa, Rejane Arruda, Caio Macedo, Gilda Nomacce, Telma Lopes, Walter Filho, Leonardo Magalhães
Distribuição: Retrato Filmes
Duração: 81 minutos
Sinopse: A jovem Luna embarca junto ao namorado em uma jornada para procurar sua mãe, que desapareceu no último dia do Carnaval em Guarapari. Sua busca a leva até um antigo prédio aparentemente vazio, mas que na verdade é habitado por almas atormentadas.
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Dirigido por Rodrigo Aragão, que possui uma longa carreira como cineasta e técnico de efeitos especiais, fundador da Fábulas Filmes e grande explorador do folclore brasileiro, o diretor já lançou sete longas, com destaque para Mangue Negro, A Noite do Chupacabras e O Cemitério das Almas Perdidas. Suas obras frequentemente circulam por festivais internacionais, e ele já acumulou mais de 30 prêmios. Com Prédio Vazio, não foi diferente: o filme venceu o Prêmio Retrato Filmes na 28ª Mostra de Tiradentes e garantiu contrato de distribuição com investimento de R$100 mil.
É um Suspense construído com pequenas tensões, sem abusar de sustos fáceis, o que leva a atenção inteira do espectador na história e nos efeitos especiais da trama. Aqui, a ideia é menos gerar medo e sim trabalhar com as pequenas tensões das sequências, seja com a bela sacada do roteiro. O elenco conta com Gilda Nomacce (Cidade Invisível), Rejane Arruda (Primavera) e Caio Macedo (Ruas da Glória). Aragão, conhecido por seu estilo visceral e atmosférico, constrói um ambiente carregado de tensão, onde cada corredor, sombra e silêncio guarda algo perturbador. A história se passa em um prédio abandonado e misterioso, repleto de presenças sobrenaturais, em contraste com o cenário turístico, bonito e paradisíaco de Guarapari (ES), onde o filme foi gravado inteiramente.
Trata-se de um suspense construído com sutileza, que não apela para sustos fáceis, o que mantém o foco do espectador na narrativa e nos efeitos especiais. O roteiro tem ótimas sacadas e a construção de tensão é feita de forma precisa. O filme provoca sensações que vão além do medo, e isso é fruto de uma produção cuidadosa e bem pensada.
As atuações são fortes, com destaque absoluto para Gilda Nomacce, que interpreta uma personagem ambígua, com atitudes e motivações que deixam o público em constante incerteza. Fiquei paralisada ao vê-la em cena. A maquiagem é excelente, e o figurino também chama atenção pela coesão visual. A fotografia e a sonoplastia são belíssimas e desde o início, fiquei com os olhos presos na tela e os ouvidos atentos, justamente pela ausência de jumpscares gratuitos. A direção de arte e a maquiagem prática, marcas registradas do diretor, estão em seu auge! É um terror autoral, ousado, e que reafirma a força do cinema de gênero brasileiro, com personagens coerentes e personalidades bem definidas.
Com influência clara de Dario Argento, Prédio Vazio marca a transição do diretor do ambiente rural para o urbano, explorando medos que habitam as cidades e abordando temas sociais e econômicos com muita precisão. O contraste entre o Carnaval e o vazio pós-temporada serve como pano de fundo para uma narrativa sombria, intensa e simbólica. A estética do filme amplia a sensação de abandono e paranoia.
Rodrigo Aragão segue por um caminho mais comercial, sem abrir mão de uma estética própria e contemporânea do terror. Prédio Vazio mostra como o horror pode abordar temas profundos e locais, sem perder sua essência visual e narrativa. O grande mérito aqui é apresentar ao grande público um gênero que, no Brasil, ainda é frequentemente banalizado ou ridicularizado. É, sem dúvida, uma tentativa consistente de valorizar e democratizar o cinema de horror nacional.
Embora eu tenha adorado a experiência de assistir o longa, ouvir atenta toda trilha Apesar de ter adorado a experiência, desde a trilha sonora envolvente à caracterização dos personagens, alguns detalhes me chamaram atenção. A ambientação do prédio deixa a desejar em certos momentos, especialmente se comparada ao nível de detalhamento presente em outros espaços, como o lobby. As representações do céu, por exemplo, soaram fantasiosas demais, destoando da estética cuidadosa da fotografia ao redor. Imagino que a intenção tenha sido provocar humor ou reforçar o exagero visual, mas confesso que, na minha experiência, isso desviou um pouco o foco do que havia de melhor em cena.
No mais, um grande filme do horror brasileiro — e estou ansiosa para rever no Dia dos Namorados. Não perca!
Prédio Vazio estreia nos cinemas brasileiros no dia 12/06/2025.

Dois especialistas em resgate precisam encontrar uma rota de fuga para uma negociadora que possui milhões em dinheiro roubado na conta. O plano, porém, rapidamente se transforma numa guerra explosiva de traições, estratégias e sobrevivência.