DIGITE ABAIXO SUA BUSCA

SÓ POR UMA NOITE

Por: Hyndra

SÓ POR UMA NOITE (One Night Only) | EUA | 2026
Direção: Will Gluck
Roteiro: Travis Braun
Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, Maya Hawke, Molly Ringwald, LeVar Burton, Julia Fox
Distribuição: Universal Pictures Brasil
Duração: 102 minutos
Sinopse: Na única noite em que o sexo antes do casamento é permitido, dois estranhos procuram desesperadamente parceiros em sua sociedade restritiva.


-----


QUANDO O PODER ENCARA, O PRAZER ESCAPA


Em tempos de retrocessos políticos e avanços de pautas conservadoras, as múltiplas expressões das sexualidades e dos erotismos são postas em suspeita. A experiência de assistir Só Por Uma Noite, de 2026, comédia romântica dirigida por Will Gluck, mesmo diretor de A Mentira (2010), com seu pano de fundo de ficção científica, me levou a pensar inicialmente em discussões da antropóloga Gayle Rubin com as políticas de sexo e a noção de biopoder do filosófo Michel Foucault.


O filme se passa nos Estados Unidos. O governo proíbe o sexo antes do casamento heterossexual e implementa sensores nos punhos de homens e mulheres, em formato de tatuagens, que acionam a polícia toda vez que níveis altos de excitação são detectados em seus corpos. Porém, em uma data específica do ano a marca, antes vermelha, fica verde e o sexo é liberado, desde que com o uso de preservativo.


Sexo e política estão sempre entrelaçados, já argumenta Rubin, e o Estado é um dos responsáveis por controlar corpos e torná-los dóceis e economicamente produtivos, como pontua Foucault. Em momentos em que governos acentuam discursos de repressão à sexualidade e à favor de uma suposta moral de bons costumes associados à Igreja, o Casamento, a Medicina e a Mídia, enquanto instituições, políticas para pessoas LGBTQIAPN+, mulheres e direitos reprodutivos são constantemente atacadas.


Toda essa discussão parecia, em primeiros olhos, proveitosa de ser conectada em Só Por Uma Noite (2026), afinal, uma comédia romântica com traços de ficção científica poderia contribuir com uma crítica social para apontar olhares transformadores sem cair em banalidades supérfluas. Entretanto, a condução da narrativa escapa, os personagens mal gritam frases contrárias à imposição do governo, são facilmente controláveis e entediantes, nada fazem e obedecem de forma cotidiana um decreto, que define, como um grande acontecimento, a existência de um dia de sexo anual.


No final, Allie e Owen, o casal principal, se contentam em “eu escolhi esperar”. Depois de uma longa noite e vários reencontros, eles decidem se conhecer durante o ano inteiro até quem sabe a relação esquentar, na posterioridade, quando o farol e o morcego, suas tatuagens marcadas, pulsarem verdes, ao invés de vermelhas.


O cinema é o espaço de fabular realidades possíveis. O filme se limita a aceitar regras impostas e reiterar a existência de governos autoritários se valendo do amor, do prazer e do sonho como chaves interpretativas. Assim, ele consagra unicamente a alienação com músicas pouco românticas ao fundo para disfarçar seu apoio irrestrito ao controle fascista de corpos.



Só Por Uma Noite estreia nos cinemas brasileiros no dia 20/08/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/so-por-uma-noite?id=1963
| 167 | 19/08/2026
Na única noite em que o sexo antes do casamento é permitido, dois estranhos procuram desesperadamente parceiros em sua sociedade restritiva.
VEJA TAMBÉM

OS DRAGÕES

Em uma conservadora comunidade, cinco adolescentes vêm seus corpos se transformarem de forma assustadora. Diante da repulsa da cidade e do medo da vida adulta eles devem escolher se aceitam seu lado Dragão ou se rendem ao tédio e às regras locais.

  
Design e desenvolvimento
#FFFFFF