STAR WARS: O MANDALORIANO E GROGU (Star Wars: The Mandalorian and Grogu) | EUA | 2026
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor
Elenco: Pedro Pascal, Brendan Wayne, Sigourney Weaver, Steve Blum, Jeremy Allen White, Jonny Coyne
Distribuição: Disney Brasil
Duração: 132 minutos
Sinopse: Após a queda do Império e, enquanto a Nova República luta para estabelecer as fundações do governo baseadas na luta da Rebelião, o lendário caçador de recompensas Mandaloriano Din Djarin e seu jovem aprendiz Grogu entram em uma missão para achar os esconderijos dos senhores da guerra Imperiais espalhados pela galáxia.
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Quando The Mandalorian estreou em 2019, acompanhando o lançamento do Disney+ nos Estados Unidos, havia uma enorme expectativa em torno da primeira série live-action do universo Star Wars. Liderada pelo já consagrado Pedro Pascal como o caçador de recompensa de Mandalor, e cercada por um elenco de peso, a produção rapidamente conquistou o público ao resgatar o espírito de aventura clássica da franquia, equilibrando nostalgia e expansão de universo.
Suas duas primeiras temporadas encontraram um raro equilíbrio entre fan service e construção narrativa, apresentando novos personagens, planetas e conflitos que ampliavam ainda mais a mitologia daquela galáxia muito, muito distante tão querida pelos fãs. Já a terceira temporada, embora ambiciosa em suas ideias, sofreu com uma condução mais irregular, preguiçosa e menos inspirada que suas antecessoras, tornando inevitável certa desconfiança em torno da decisão de transformar essa história em um longa-metragem para os cinemas.
Ambientado no período posterior aos eventos de Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi, Star Wars: O Mandaloriano e Grogu acompanha Din Djarin, em uma nova missão nos confins da galáxia, enquanto a Nova República tenta conter as últimas células imperiais que ainda operam nas sombras. Contratado pela Coronel Ward, interpretada por Sigourney Weaver, o mandaloriano parte em busca dos Gêmeos Hutt, parentes de Jabba, que detêm informações valiosas sobre o paradeiro de um misterioso oficial do Império desaparecido.
Há um certo ineditismo em Star Wars: O Mandaloriano e Grogu desde sua concepção. Pela primeira vez, a franquia aposta em um longa-metragem que funciona diretamente como continuação de uma série, assumindo os riscos de transportar para o cinema uma narrativa já em andamento. A decisão poderia facilmente afastar parte do grande público ou até confundir espectadores menos familiarizados com o universo televisivo da saga.
Ainda assim, o filme encontra maneiras eficientes de situar sua trama logo nos primeiros minutos, recorrendo a elementos clássicos de Star Wars, como os letreiros iniciais, para rapidamente inserir o espectador naquele universo, mesmo quando a história já começou muito antes da sessão, além de uma cena frenética para apresentar nossos protagonistas.
Diferente de boa parte dos filmes da franquia, que tradicionalmente colocam seus personagens diante de ameaças capazes de definir o destino de toda a galáxia, Star Wars: O Mandaloriano e Grogu opta por uma abordagem mais contida. A aventura aqui é construída de maneira mais íntima e focada, acompanhando Din Djarin e Grogu em uma missão que não pretende expandir seus conflitos para proporções épicas ou apocalípticas a cada novo ato. E é justamente nessa escala mais enxuta que o filme encontra sua conexão com a força.
Sem a necessidade de transformar cada obstáculo em um evento galáctico, a narrativa consegue respirar melhor e recuperar o espírito serial aventuresco que sempre esteve presente em Star Wars. Há espaço para perseguições, encontros improváveis, criaturas exóticas e pequenas missões paralelas que remetem diretamente à essência pulp da saga, mantendo o ritmo constantemente envolvente. O resultado passa longe de soar limitado; pelo contrário, o filme entende que nem toda história desse universo precisa carregar o peso do destino da galáxia para funcionar emocionalmente ou entregar entretenimento genuíno.
A trama encontra força ao colocar os protagonistas e seus aliados diante dos resquícios da guerra contra o Império, explorando uma galáxia que tenta seguir em frente enquanto antigas ameaças ainda sobrevivem. Em vez de apostar em um conflito grandioso, o filme acompanha personagens que transitam entre o desejo de fazer o que é certo e a mas também conquistar seus contratos e recompensas, criando uma dinâmica simples, mas eficiente, que combina bem com o espírito aventureiro desse universo de fantasia espacial.
Os diretores Jon Favreau e Dave Filoni já haviam conquistado a confiança dos fãs através do trabalho desenvolvido em The Mandalorian e em outras produções recentes da franquia, mostrando compreender não apenas a estética, mas principalmente a essência de Star Wars. Aqui, conduzem a narrativa com segurança e personalidade, respeitando os conceitos clássicos desse universo sem depender constantemente de elementos icônicos como Jedi ou sabres de luz para gerar identificação. Ainda assim, o filme jamais deixa de parecer Star Wars.
O roteiro, também assinado por Jon Favreau e Dave Filoni, aposta em uma estrutura bastante simples e, em alguns momentos, sofre com problemas de ritmo, especialmente nas sequências em que Grogu precisa sustentar parte da narrativa sozinho. Além disso, certas facilidades surgem para resolver desafios que o próprio filme estabelece ao longo da trama. Ainda assim, nada disso chega a comprometer a experiência de forma significativa. Há qualidade suficiente nos diálogos, na condução das cenas e na direção da dupla para que a história permaneça envolvente, fazendo com que seus deslizes — que existem — nunca sejam fortes o bastante para prejudicar o charme e a diversão da aventura.
Existem também alguns problemas perceptíveis na fluidez do CGI em determinadas cenas (não em todas), algo que passa a impressão de uma produção menos ambiciosa financeiramente do que outros grandes blockbusters recentes. Ainda assim, mesmo quando os efeitos digitais não impressionam tecnicamente, o filme consegue apresentar bem seus ambientes, criaturas e personagens, sustentando o interesse da narrativa a ponto de, com o passar do tempo, o espectador simplesmente se acostumar com aquela estética, diferente de outras produções modernas em que o excesso de computação gráfica acaba se tornando um elemento de distração constante.
Muito disso funciona graças à boa mescla entre CGI e efeitos práticos, uma característica que sempre fez parte da identidade visual de Star Wars e que segue presente aqui com bastante competência, mas não perfeita.
Star Wars: O Mandaloriano e Grogu é, acima de tudo, uma obra divertida e genuinamente interessada em contar uma boa aventura dentro daquele universo. Mantendo a identidade construída pela série, o filme também preserva sua competente trilha sonora, agora levemente ajustada para uma proposta mais grandiosa, com momentos de maior imponência e oscilações mais épicas, afinal, trata-se de uma experiência pensada para o cinema.
Ainda que não acompanhe a franquia quando atinge o ápice de suas melhores produções como O Império Contra-Ataca ou Rogue One, encontra qualidades suficientes em sua direção, personagens e senso de aventura para justificar sua existência nas telonas.
O longa demonstra compreender aquilo que muitos fãs procuram em Star Wars: personalidade, atmosfera, carisma e a sensação de estar explorando uma galáxia viva, cheia de histórias possíveis além dos conflitos centrais entre Jedi e Sith. Nesse sentido, surge como uma adição sólida ao universo da franquia e, principalmente, como uma produção capaz de reconectar parte do público que saiu profundamente decepcionado com a última trilogia cinematográfica, oferecendo uma visão mais segura, coesa e afetiva do que essa saga ainda pode entregar.
PS: Nunca se esqueçam! Que a força esteja com vocês!
Star Wars: O Mandaloriano e Grogu estreia nos cinemas brasileiros no dia 21/05/2026.

"Elementos" é um filme animado cativante, repleto de humor e personagens memoráveis.