DIGITE ABAIXO SUA BUSCA

SUPERGIRL (2026)

Por: Matheus Lins

SUPERGIRL | EUA | 2026
Direção: Craig Gillespie
Roteiro: Ana Nogueira
Elenco: Milly Alcock, Eve Ridley, Matthias Schoenaerts, Jason Momoa, David Krumholtz, Emily Beecham
Distribuição: Warner Bros. Pictures Brasil
Duração: 108 minutos
Sinopse: Quando um adversário tão inesperado quanto implacável parece muito próximo de ganhar uma perigosa batalha, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, não sem muita relutância, faz uma parceria improvável em uma épica jornada interestelar de vingança e justiça.


-----


Após um início promissor com o bom desempenho de Superman (2025) e a introdução de outros personagens e conceitos por meio das produções lançadas no streaming, o novo Universo DC comandado por James Gunn segue em sua fase de consolidação. Ainda em seus primeiros passos, a franquia busca estabelecer uma identidade própria, equilibrando diferentes tons e narrativas interligadas.


Nesse contexto, Supergirl surge como mais uma peça desse quebra-cabeça, buscando ampliar a dimensão cósmica desse universo compartilhado e dando continuidade ao processo de estruturação da nova era da DC nos cinemas.


Após cruzar o caminho de Ruthye Marye Knoll (Eve Ridley), uma jovem alienígena consumida pelo desejo de vingança contra o mercenário Krem (Matthias Schoenaerts), responsável pela morte de seu pai, Kara inicialmente se recusa a participar da caçada. No entanto, quando o criminoso ameaça alguém próximo da heroína, ela acaba sendo arrastada para uma perseguição que atravessa diferentes sistemas solares. Privada de seus poderes em mundos distantes da influência de um sol vermelho, Supergirl precisará enfrentar inúmeros perigos enquanto tenta encontrar Krem e escapar do caçador de recompensas Lobo (Jason Momoa).


Apesar de ser dirigido por Craig Gillespie, Supergirl carrega de maneira inegável a identidade criativa de James Gunn. A irreverência, o humor peculiar e o espírito despojado que marcaram obras como a trilogia Guardiões da Galáxia estão presentes em diversos momentos do filme, seja nas interações entre os personagens, no uso da trilha sonora ou na forma como o longa abraça o lado mais excêntrico e cósmico dos quadrinhos. É uma produção que carece de personalidade própria e deixa evidente a assinatura de quem hoje comanda os rumos do novo Universo DC.


A fórmula diverte e mantém o filme constantemente em movimento, mas é difícil ignorar a sensação de déjà vu. Por mais carismáticos que sejam seus personagens e por mais expansivo que seja seu cenário cósmico, Supergirl raramente transmite a impressão de estar fazendo algo verdadeiramente novo. Em diversos momentos, o longa parece seguir uma cartilha já bastante conhecida, apenas substituindo os rostos em cena e inserindo-os dentro de um novo universo cinematográfico. O resultado é um filme agradável, mas que dificilmente surpreende.


Do ponto de vista técnico, Supergirl apresenta efeitos visuais competentes e, em vários momentos, bem resolvidos, especialmente nas sequências espaciais e na construção dos diferentes cenários planetários. Ainda assim, não há um salto qualitativo que o destaque de forma consistente dentro do gênero, com alguns trechos revelando acabamento irregular e uma certa dependência de soluções visuais já conhecidas.


O problema mais evidente, porém, está no roteiro e na forma como a narrativa é conduzida. Os diálogos frequentemente soam expositivos, mais preocupados em explicar o universo e suas regras, mostrar um vilão que é mal porque é mal, sem desenvolver naturalmente o personagem e seus objetivos. Soma-se a isso uma repetição de mecanismos narrativos que enfraquecem a protagonista ao longo da trama para manter o conflito em andamento, seja por meio do sol vermelho, do sol verde, de envenenamentos ou até da kryptonita, de forma a reduzir os poderes da heroína, tudo isso em apenas 1h e 50min de filme, o que acaba artificializando os obstáculos e diluindo parte da tensão dramática, tornando a progressão da história mais mecânica do que orgânica. É um ciclo previsível.


Apesar das fragilidades, Supergirl não chega a ser um filme sem alma, não é um filme ruim. Existe intenção dramática em sua construção e momentos pontuais em que a narrativa encontra algum respiro mais humano. Ainda assim, são acertos esparsos, que aparecem de forma pontual e não conseguem sustentar o conjunto.


Um dos exemplos mais claros disso é a cena em que o filme revisita o passado da protagonista, explorando o que ela viveu antes de seu encontro com o Superman. Nesse trecho, há uma tentativa mais sensível de dar profundidade à personagem e contextualizar suas dores e ausências, oferecendo um momento em que o longa desacelera e busca algum peso emocional. No entanto, como em outras partes da obra, esse impacto acaba sendo breve, rapidamente diluído pelo retorno à estrutura narrativa mais convencional.


No centro do filme, Milly Alcock entrega uma atuação consistente e acima do material que, por vezes, a cerca. A atriz consegue equilibrar bem as diferentes facetas da personagem, transitando de forma convincente entre a vulnerabilidade emocional de uma jovem marcada por perdas e o lado mais combativo e impulsivo da heroína em ação.


Essa oscilação funciona a favor da performance, dando camadas a uma protagonista que poderia facilmente se perder em meio a um roteiro irregular. Mesmo quando o filme não ajuda, Alcock sustenta a presença da personagem em cena, mantendo-a interessante tanto nos momentos mais íntimos quanto nas sequências de ação.


Outro destaque, é Jason Momoa como Lobo. O ator entrega exatamente aquilo que se espera do personagem: um mercenário bruto, exagerado e carismático, com presença física dominante e uma energia caótica que rouba a cena sempre que aparece. Há uma sintonia evidente entre intérprete e personagem, como se o papel tivesse sido moldado para ele.


Fisicamente, Momoa parece encaixar perfeitamente na proposta do Lobo, reforçando essa impressão de “casting ideal”, em que ator e personagem se confundem. É o tipo de escolha que remete a casos clássicos do cinema de super-heróis, como Robert Downey Jr. em Homem de Ferro ou Christopher Reeve em Superman, em que a escalação se torna parte fundamental da identidade do personagem.


Mesmo com suas limitações, o longa consegue despertar interesse pela continuidade desse universo, sobretudo pela maneira como insere a protagonista em um contexto maior e mais interligado. Há uma sensação de que a história não se encerra aqui, mas funciona como mais uma peça dentro de uma estrutura em formação, o que ajuda a manter a curiosidade para os próximos capítulos dessa nova fase cinematográfica.


No fim, Supergirl reúne acertos pontuais e problemas estruturais que impedem o filme de alcançar um resultado mais consistente. Há bons momentos, uma protagonista que se sustenta bem em cena, um vilão carismático em participações específicas e uma tentativa clara de expansão desse universo em construção. Por outro lado, o roteiro irregular, os diálogos excessivamente explicativos e a repetição de mecanismos narrativos enfraquecem o impacto geral da obra.


E assim, temos um filme mediano, que oscila entre o funcional e o pouco inspirado, sem nunca chegar a se firmar plenamente como algo memorável. Ainda assim, não deixa de cumprir seu papel como entretenimento, sendo uma produção que diverte em diversos momentos, mesmo que não consiga ir muito além disso.



Supergirl estreia nos cinemas brasileiros no dia 25/06/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/supergirl-2026?id=1905
| 338 | 24/06/2026
Quando um adversário tão inesperado quanto implacável parece muito próximo de ganhar uma perigosa batalha, Kara Zor-El, também conhecida como Supergirl, não sem muita relutância, faz uma parceria improvável em uma épica jornada interestelar de vingança e justiça.
VEJA TAMBÉM

NAS TERRAS PERDIDAS

\"Nas Terras Perdidas\" emerge como um espetáculo sensorial.

  
Design e desenvolvimento
#FFFFFF