Superman | EUA | 2025
Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn
Elenco: David Corenswet, Rachel Brosnahan, Nicholas Hoult, Nathan Fillion, Edi Gathegi, Isabela Merced, María Gabriela de Faría, Sara Sampaio, Skyker Gisondo, Wendel Pierce, Neva Howell, Pruitt Taylor vince, Mikaela Hoover, Frank Grillo, Anthony Carrigan, Bradley Cooper, Milly Alcock, Alan Tudyk, William Reeve, Sean Gunn, Beck Bennett, Christopher McDonald, Terence Rosemore, John Cena, Michael Rooker, Grace Chan.
Distribuição: Warner Bros.
Duração: 129 minutos
Sinopse: Superman (2025), além de apresentar os primeiros anos de atuação do Homem de Aço, explorará seus dilemas morais em um mundo onde seus valores são considerados antiquados, enquanto tenta se adaptar aos costumes terráqueos. Em meio a isso, o super-herói estará no centro de um plano diabólico de seu arqui-inimigo, Lex Luthor (Nicholas Hoult), que pretende transformá-lo no homem mais odiado do planeta Terra.

Após a estreia de “Superman – O Filme”, em 1978, o homem de aço teve diversas encarnações e representações tanto no cinema quanto na TV, sem contar, lógico, as primeiras adaptações para a Tv, com Kirk Alyn e George Reeves. Os dois primeiros filmes com o excepcional Christopher Reeve no papel do kryptoniano são referencias em como se produzir filmes de super heróis. O primeiro é praticamente um manual de como se adaptar para as telas de maneira genial e com respeito ao material original personagens oriundos dos quadrinhos. Infelizmente Richard Donner, diretor do primeiro filme e de praticamente 80% do que foi visto no segundo filme, foi demitido e foi substituído por Richard Lester, que cometeu o terceiro filme. O quarto filme foi uma bomba capitaneada quase sem dinheiro pela finada Cannon Films. Depois de muito tempo tivemos “Superman – O Retorno” (2006), dirigido de forma digna por Bryan Singer (que vinha vitorioso dos dois primeiros filmes dos X-Men). O filme teve uma recepção mista, pois apostava em ser uma continuação dos filmes de Donner, e embora pecou no quesito ação, mas não deixou de ser um bom filme. Finalmente em 2013 veio o “Homem de Aço”, onde o diretor privilegiou a ação, mas mostrava uma visão distorcida e negativa do personagem, privilegiando a ação (que é o ponto forte do filme), mas pecando em conhecer a essência do personagem. Homem de Aço criou uma legião de fãs que tiveram contato com aquela versão e que acabaram se tornando fãs de ator/diretor e sua versão equivocada, e reagindo de maneira hostil com quem queria um personagem mais voltado para suas origens, os quadrinhos. Quando o novo diretor que levaria o personagem para as telas e que haveria um novo ator encarnando o Superman, houve diversas mensagens de ódio e escarnio, além do desejo que o novo universo fracassasse.
E isso nos leva ao novo filme do homem de aço, SUPERMAN, dirigido por James Gunn.

Superman é um filme que se assume como adaptação de quadrinho, que tem como base o material original e sua rica mitologia. A versão de Gunn é colorida, vibrante, ágil, divertida e não tem vergonha de mostrar um universo onde os meta humanos existem á centenas de anos e convivem com a humanidade, e tem uniformes, poderes e atraem a atenção. Em diversos momentos, aparecem elementos dos quadrinhos, até de animações. Impossível não conter o sorriso e a satisfação em ver a Sala da Justiça, se assemelhando a sua contraparte no desenho “Superamigos”, um Guy Gardner sacana e com seu tradicional corte de cabelo de cuia, Metamorfo, Mulher Gavião e Sr. Incrível (ambas os personagens da Sociedade da Justiça, na fase do Geof Johns). O Planeta Diário, Perry White, Lois Lane, Jimmy Olsen, Cat Grant, Steve Lombard, Ron Troupe, todos estão lá! Té marciano branco aparece! Referências ao clássico de Richard Donner, como a Eve Teschmacher, Otis, fora o tema maravilhoso de John Williams e os letreiros em perspectiva. O filme é uma verdadeira reverência ao Superman, bebendo principalmente de elementos da Era de Prata, algumas coisas da maravilhosa fase de John Byrne, elementos das HQs de Grant Morrison, entre outros.

David Corenswet encarna perfeitamente o homem de aço, se tornando a melhor encarnação nos cinemas após o icônico Christopher Reeve. Sua versão é preocupada em fazer o bem, proteger as pessoas (e animais). Ele tem suas falhas, é emotivo em alguns momentos, e tem suas dúvidas, como um ser humano normal, mas tenta superar tudo e segue em frente em suas batalhas. Ele apanha (bastante) no filme, mas como todo bom super-herói, procura sempre superar suas dificuldades e vencer. Ele é o herói que a terra precisa e que se importa com o que é certo, ele realmente representa a esperança. Rachel Brosnahan nos traz uma Lois Lane investigativa, inteligente e que alinhava as conspirações de Lex Luthor, e sua química com Corenswet é palpável. No filme, Superman e Lois vivem um romance há três meses. O Luthor, interpretado magnificamente por Nicholas Hoult é a versão mais maligna que já foi representada no cinema. Ele é inteligente e sádico (há uma cena de tortura psicológica com uma roleta russa que realmente comprova isso), não se importa com ninguém e nada, a não ser alcançar seus objetivos, mesmo que tenha que matar ou sacrificar pessoas para isso. Seu ódio e inveja pelo Superman é palpável. E o que falar do Krypto? Fofo, adorável e extremamente divertido e agitado, o cachorro, um personagem criado em 1955 (para surpresa de quem nunca leu quadrinhos e acha que ele foi inventado agora) é um dos destaques do filme, e vai encantar muito as pessoas, em especial as crianças. Ele é cativante e sempre que aparece se torna o foco da cena.

O filme, embora muito bom, tem suas falhas na narrativa, provavelmente por conta do corte final que deve ter sido uma exigência da Warner. O corte inicial do filme seria de 160 minutos e tinha uma estrutura episódica, tal qual Gunn tinha feito no filme do “Esquadrão Suicida” (2021). Essa mudança da estrutura é percebida na primeira metade do filme. Algumas coisas se resolvem rapidamente, outras são deixadas de lado para depois serem retomadas posteriormente. Mas isso não impede que o filme seja facilmente entendido.

O ritmo do filme é ágil, com cenas de ação vertiginosas, com os ângulos diferentes que Gunn gosta de usar, e os efeitos são muito bons, com apenas algumas poucas cenas que ficaram um pouco artificiais. As cenas de voo são espetaculares, tanto as do Superman quanto da Mulher Gavião. Tudo bem dinâmico! Uma das cenas mais memoráveis é uma sequência contínua de ação envolvendo O Sr. Incrível, facilmente um dos melhores personagens do filme, e Lois Lane ao tentarem invadir uma base militar. Além dos personagens principais, temos uma aparição do Pacificador e da Supergirl. O filme também conta com duas pequenas cenas pós créditos.
Superman é facilmente o melhor filme do Superman desde “Superman 2”, criando as bases para o novo universo de super-heróis da DC. É um filme que não tem vergonha de se assumir como adaptação de quadrinhos, e esse é o seu ponto forte, e o torna uma experiencia maravilhosa para os fãs!
Pelo que é visto no filme, James Gunn foi a escolha certa para comandar essa nova empreitada da DC. Olhe para cima!

Chew é um quadrinho criado pela dupla John Layman e Rob Guillory, uma narrativa policial que mistura ficção científica, ação e comédia.