Título original: Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin
Título em português: Tartarugas Ninja: O Último Ronin
Páginas: 224
Editora original: IDW Publishing
Editora nacional: Pipoca & Nanquim
Tartarugas Ninja é o tipo de série que transpassa gerações, tendo sua primeira aparição em 1984 nos quadrinhos e ganhando várias adaptações para tv e cinema. Meu primeiro contato com a série veio em 2003, com uma adaptação da Fox Kids que possui um tom que se aproxima mais de suas origens nos quadrinhos, algo mais sombrio e focado na ação. O Último Ronin se aproxima mais dessa visão clássica, sendo uma homenagem a clássicos como Cavaleiro das Trevas e Queda de Murdock de Frank Miller. Porém, não posso deixar de sentir um gosto meio amargo com sua conclusão.
Na trama, acompanhamos um dos quatros irmãos tartarugas que retorna a uma Nova York cyberpunk dominada pelo novo líder do Clã do Pé, Hiroto. Ao longo da introdução o roteiro situa bem o leitor de como as coisas não são mais as mesmas, nunca vemos os quatro irmãos juntos e Nova York parece um ambiente completamente alien. A única coisa que o leitor sabe de fato, é que nosso protagonista busca vingança e que não existe outra opção além da destruição do Clã do Pé.
O Último Ronin é uma obra que fala bastante sobre luto e legado, afinal, a falta dos quatro irmãos é um elemento central. Aqui, Kevin Eastman retorna a conceitos de bushido e honra que eram pilares das primeiras histórias, tanto que constantemente os personagens referenciam o conflito ancestral entre a família das tartarugas e o clã do pé. Infelizmente alguns conflitos são apresentados de maneira genérica, como um ataque frontal ao invés das estratégias de infiltração apresentadas no início. A arte traz intensidade e dinamismo para os combates e expressões faciais, além de casar bem com a trama e personagens.
O Último Ronin brilha nos momentos intimistas dos personagens, apresentando as consequências dos ataques que destruíram a família das tartarugas e das cicatrizes emocionais do luto. Porém, traz um vilão inconsistente, que em um momento é um cientista recluso e maquiavélico, no outro é um conquistador que beira a loucura dando discursos aos céus em plena chuva. Acho que faltou intimismo nos combates da reta final e apoiar mais a história no tom melancólico do primeiro ato. Porém, a história ainda consegue entreter e traz um gostinho de quadrinhos dos anos 80 para uma nova geração de fãs das tartarugas.
Li a edição estadunidense, mas Último Ronin foi lançado pela Pipoca & Nanquim em terras brasileiras com o mesmo luxo da edição gringa. Atualmente se encontra fora de estoque.

"Furiosa: Uma Saga Mad Max" é um ótimo filme de ação que amplia a mitologia do universo Mad Max.