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TOY STORY 5

Por: Matheus Lins

TOY STORY 5 | EUA | 2026
Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris
Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris
Elenco de dublagem: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Conan O'Brien, Scarlett Spears, Greta Lee
Distribuição: Walt Disney Studios
Duração: 102 minutos
Sinopse: Woody, Buzz, Jessie e a turma de brinquedos enfrentam um desafio inédito: o domínio da tecnologia na vida de Bonnie. Quando a garota ganha um tablet inteligente (Lilypad), ela perde o interesse nos brinquedos clássicos. O grupo precisa bolar um plano para se manter relevante.


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Desde que Toy Story encerrou sua trilogia original em 2010, a sensação entre muitos fãs era de que a história havia alcançado um desfecho emocionante, maduro e praticamente perfeito. A despedida de Andy e a passagem dos brinquedos para uma nova geração encerravam não apenas uma jornada, mas também um capítulo fundamental da animação. Por isso, cada anúncio de uma nova continuação da franquia, costuma ser recebido com uma mistura de entusiasmo e desconfiança.


Foi exatamente o que aconteceu com Toy Story 4. À primeira vista, a ideia de revisitar uma história que já parecia concluída despertou inúmeras dúvidas. No entanto, o filme surpreendeu ao entregar uma aventura divertida, visualmente deslumbrante e emocionalmente sincera. Ainda que não alcançasse o mesmo nível e originalidade, no que se refere à impacto e excelência narrativa dos três primeiros longas, a produção justificava sua existência ao oferecer um novo olhar sobre Woody e seu propósito.


Diante desse histórico, o anúncio de Toy Story 5 naturalmente voltou a despertar aquela velha pulga atrás da orelha dos fãs. Afinal, até que ponto ainda existem histórias relevantes para contar dentro desse universo sem comprometer o legado construído ao longo de três décadas?


A boa notícia é que Toy Story 5 consegue dissipar boa parte dessas preocupações. Mais do que apenas repetir fórmulas conhecidas, o novo capítulo encontra uma premissa atual e relevante para colocar seus personagens diante de um conflito genuinamente novo. O resultado é um filme que supera seu antecessor em praticamente todos os aspectos: a história é mais envolvente, a mensagem possui maior profundidade emocional e o ritmo da aventura mantém o interesse do espectador do início ao fim.


Entre os personagens, quem realmente rouba a cena é Jessie. Assumindo um papel central na narrativa, a vaqueira se destaca como a verdadeira protagonista da aventura, conduzindo boa parte dos acontecimentos e carregando alguns dos momentos mais emocionantes do filme. Sua jornada oferece novas camadas à personagem e demonstra que a franquia ainda é capaz de renovar seu foco sem perder a essência que conquistou gerações de espectadores.


Embora ainda não alcance o mesmo patamar da trilogia original, um feito que talvez seja impossível de reproduzir, Toy Story 5 demonstra compreender aquilo que sempre fez de melhor: combinar humor, aventura e emoção de forma acessível para crianças e profundamente tocante para adultos. O resultado é mais uma aventura divertida, envolvente e, em diversos momentos, genuinamente emocionante.


Tecnicamente, a animação alcança um nível de refinamento que supera até mesmo os padrões já elevados da franquia, com texturas mais ricas, cenários repletos de detalhes e uma fluidez de movimentos que confere ainda mais vida aos personagens. Cada superfície, tecido, material plástico ou metálico parece possuir peso e identidade próprios, evidenciando o cuidado minucioso empregado em cada quadro.


Quando as crianças mergulham nas brincadeiras e dão asas à imaginação, a animação abandona momentaneamente o realismo característico da série para adotar traços que remetem a pinturas em guache e aquarela. As cores se tornam mais vibrantes, os contornos mais livres e o mundo passa a refletir a forma como aquelas aventuras existem na mente infantil. É uma escolha estética inspirada, que traduz visualmente a imaginação das crianças.


Além disso, a dublagem brasileira do longa diverte sendo um espetáculo à parte. Tradicionalmente um dos pontos fortes das animações da Pixar no Brasil, o trabalho realizado em Toy Story 5 consegue elevar ainda mais um texto que já funciona muito bem em sua versão original. Além da qualidade das interpretações, a adaptação brasileira acerta ao regionalizar determinadas expressões e piadas de maneira natural, aproximando os personagens do público sem comprometer a essência do roteiro.


Embora a premissa coloque a tecnologia no centro da história, Toy Story 5 vai além de um simples debate sobre o excesso de telas. O filme não trata celulares, tablets ou aplicativos como grandes vilões da infância por si só, afinal de contas, equilibra o discurso ainda na metade do longa, mas usa esse cenário para discutir algo ainda mais importante.


Mais do que falar sobre vício em tecnologia, a narrativa aborda a dificuldade de criar conexões reais em um mundo cada vez mais mediado por telas. Ao mostrar Bonnie se afastando dos brinquedos e amigos, o roteiro reflete sobre como certas experiências digitais podem acabar substituindo momentos de convivência, imaginação compartilhada e interação com outras pessoas. O mais interessante é que o filme trata desse tema com sensibilidade, sem discursos moralistas ou respostas fáceis.


Em alguns momentos, pode parecer apenas mais uma aventura isolada dentro desse universo, uma espécie de capítulo complementar criado para revisitar personagens queridos ou lucrar mais uma grana para o estúdio. No entanto, ao longo da narrativa, o filme encontra maneiras interessantes de expandir o mundo da franquia, apresentando novas possibilidades e deixando portas abertas para possíveis histórias sem comprometer aquilo que já foi construído anteriormente.


É claro que sempre haverá quem considere a própria existência do filme desnecessária, especialmente diante do encerramento memorável da trilogia original. Mas essa é uma discussão bastante subjetiva. Analisando a obra por seus próprios méritos, Toy Story 5 está longe de ser uma simples extensão comercial ou uma "barriga" da franquia. Pelo contrário, trata-se de uma aventura bem escrita, divertida, emocionante e que justifica sua presença ao encontrar novos temas para explorar e novas histórias para contar.


Ele não vai redefinir as animações como seus antecessores fizeram em diferentes momentos, mas demonstra que ainda existe vida criativa nesse universo. E, considerando a qualidade do resultado, não é difícil sair da sessão curioso para descobrir quais serão os próximos caminhos desses personagens.


Com uma boa história, personagens cativantes, uma mensagem relevante e animação de altíssimo nível, o filme prova que ainda há espaço para novas aventuras nesse universo, mostrando que nunca é demais uma nova brincadeira.



Toy Story 5 estreia nos cinemas brasileiros no dia 18/06/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/toy-story-5?id=1899
| 274 | 16/06/2026
Woody, Buzz, Jessie e a turma de brinquedos enfrentam um desafio inédito: o domínio da tecnologia na vida de Bonnie. Quando a garota ganha um tablet inteligente (Lilypad), ela perde o interesse nos brinquedos clássicos. O grupo precisa bolar um plano para se manter relevante.
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