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ZONA ZERO

Por: Diego Aleluia Jaffré

ZONA ZERO (Gunche) | Coreia do Sul | 2026
Direção: Yeon Sang-ho
Roteiro: Choi Kyu-seok e Yeon Sang-ho
Elenco: Jun Ji-hyun, Koo Kyo-hwan, Ji Chang-wook, Kim Shin-rock, Shin Hyeon-bin, Go Soo
Distribuição: Paris Filmes
Duração: 123 minutos
Sinopse: Durante uma conferência de biotecnologia em um arranha-céu de Seul, a professora Se-jeong presencia a liberação de um vírus que sofre mutações rápidas. Enquanto os infectados se transformam e desenvolvem uma aterrorizante inteligência coletiva, as autoridades isolam o prédio, deixando os sobreviventes presos com uma ameaça em constante evolução.


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Zumbis são uma marca do cinema moderno, desde sua origem religiosa com mortos retornando de seus túmulos ou até suas interpretações infecciosas contemporâneas. O diretor George Romero utilizou dessas criaturas para fazer uma crítica à sociedade consumista e violenta de sua época. Já pelos anos 2010, estas criaturas ficaram mais rápidas e agressivas, perdendo o teor crítico e se tornando mais um entretenimento rápido e violento. E assim como westerns e filmes de gangsteres, o gênero de zumbis se tornou saturado e genérico. Pontualmente surgia algo de interessante, como o trabalho anterior do diretor Yeon Sang-ho, “Train to Busan” (Invasão Zumbi em português). Este que retorna para mais uma história envolvendo estes monstros devoradores de carne humana. Trazendo algumas novidades, mas que tropeça em uma trama desnecessariamente expansiva e de pouco impacto emocional.


A trama começa em uma conferência de biotecnologia em um grande arranha céu, uma localidade interessante, pois, mesmo sendo um ambiente fechado é possível apresentar cenários e desafios interessantes para seus personagens. Ao longo da introdução, vemos alguns aspectos dos personagens que virão a ser o grupo principal de sobreviventes. Destes, os mais interessantes são a protagonista, o policial, o segurança do prédio e sua irmã que é cadeirante. Um cientista libera um vírus de rápida infecção e mutabilidade, transformando o evento em uma área de quarentena e colocando em risco todos os presentes. No início, a obra se apresenta de maneira claustrofóbica, o contato com o mundo exterior é cortado e os corredores do prédio se enchem de criaturas canibais. É neste momento que vemos o principal diferencial do filme, as regras dos monstros mudam constantemente. Há um processo de evolução constante, então, os protagonistas precisam constantemente desenvolver diferentes estratégias para garantir a sobrevivência.


Em um filme de zumbi, a relação dos sobreviventes é tão importante quanto os monstros, já que é por eles que é possível gerar empatia e tirar diversas emoções da plateia. Entre os sobreviventes, o roteiro não faz um bom trabalho. A maioria está presa aos seus respectivos estereótipos, como o rico egoísta, a aluna popular que faz besteira, o amigo altruísta e etc. Novamente, os mais interessantes são a protagonista, o policial, o segurança do prédio e sua irmã. São eles que entregam as cenas mais emocionantes e servem como mecanismos de explicação da narrativa de uma maneira interessante. Mas, o verdadeiro destaque vai para o vilão do filme. O Dr. Seo Young-cheol (Koo Kyo-hwan) é um dos personagens que consegue chamar atenção do público pelo quão mesquinho e cruel ele consegue ser. Em certo momento, ele controla as criaturas para criar armadilhas e consegue criar intrigas que ameaçam a integridade do grupo. Ele se esforça ao máximo para levar os personagens ao redor aos seus respectivos limites.


Zona Zero tem seus elementos interessantes, acredito que a narrativa seria mais cativante se ficasse mais restrita ao prédio. Mas, os roteiristas fizeram uma decisão questionável em trazer tramas que acontecem em paralelo ao grupo de sobreviventes. Já que nenhum desses grupos conseguem ser mais ou igualmente interessantes ao que está acontecendo com os protagonistas. Tornando a experiência extensa e pouco recompensadora para o público. O pior, é que boa parte das explicações que justificam essas cenas, poderiam acontecer facilmente dentro do prédio e com o grupo principal. Podendo dar mais desenvolvimento para o elenco de apoio, ao invés de expandir a trama e deixá-la igualmente rasa.


Em suma, Zona Zero não é um filme ruim, mas por tentar parecer maior do que realmente é, me fez perder o interesse gradualmente e o início promissor acabou sendo uma memória distante. Me lembrando da época de que todo ano tinha um filme ou jogo de zumbi, apenas para tentar fazer uma grana rápida.



Zona Zero estreia nos cinemas brasileiros no dia 15/10/2026.

Resenhas
https://www.cinehorror.com.br/resenhas/zona-zero?id=2004
| 47 | 13/10/2026
Durante uma conferência de biotecnologia em um arranha-céu de Seul, a professora Se-jeong presencia a liberação de um vírus que sofre mutações rápidas. Enquanto os infectados se transformam e desenvolvem uma aterrorizante inteligência coletiva, as autoridades isolam o prédio, deixando os sobreviventes presos com uma ameaça em constante evolução.
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